Washington Os democratas multiplicam seus ataques ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, já debilitado pelas dificuldades no Iraque, pela polêmica sobre as armas de destruição em massa e pela economia combalida do país. A ação é vista por analistas como um potapé inicial às eleições presidenciais de 2004.
A queda da popularidade do presidente nas recentes pesquisas (o pior índice desde janeiro), a crescente comparação da imprensa entre a polêmica sobre as armas iraquianas e o escândalo Watergate, e os debates sobre as informações divulgadas durante a guerra deram força extra à oposição democrata, até agora branda.
Os democratas não têm se limitado a atacar o presidente pela utilização de informações duvidosas em seus discursos sobre o estado da União em janeiro último. O partido da oposição tem atirado em várias direções, desde os crescentes déficits até o aumento no desemprego, passando pelo custo da guerra do Iraque e a deteriorada imagem americana no mundo.
A disputa já está aberta, concordam especialistas, e os democratas contam com incontáveis armas para minar os republicanos.
''Há muitos fatos contra e quase nenhum favorável ao presidente'', sustenta Karlyn Bowman, analista política do centro de pesquisas American Enterprise Institute. ''É um período muito complicado para Bush''.
Economia A líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, convocou uma entrevista coletiva na quinta-feira para denunciar o balanço enconômico do governo, advertindo que a situação não poderia ser pior com os déficits sem precedentes anunciados nos últimos dias.
''Bush agravou a situação estimulando reduções de impostos, que não ajudam a economia'', afirmou Pelosi. ''Mais de três milhões de americanos estão sem empregos e esta semana a administração revelou que o déficit orçamentário chegará a 455 bilhões de dólares um dos mais altos da história dos Estados Unidos'', frisou.
Custo da guerra Um senador democrata se dedicou, pelo seu lado, a criticar o custo da presença americana no Iraque e no Afeganistão.
Contudo, o custo humano das operações é o mais preocupante, fizeram questão de lembrar os democratas.
O Pentágono classificou o momento no Iraque como uma ''guerra de guerrilhas'', já que militares americanos enfrentam ataques diários na região e anunciou ainda que as tropas regressariam mais tarde do que o previsto aos EUA, por causa da insegurança no país asiático.
O senador Russel Feingold acusou, por sua vez, a administração de concentrar todos os seus esforços no Iraque, deixando de lado a guerra cotra o terrorismo. ''O combate ao Al Qaeda deveria ser nossa prioridade absoluta'', declarou.
Resposta Os republicanos denunciam as acusações como tentativas desesperadas da oposição para debilitar o atual presidente. Para o senador Richard Shelby, a polêmica sobre as informações que desencadearam a guerra no Iraque é uma tempestade em um copo d'água.
''Isso será dissipado... não há material suficiente para que dure por muito tempo'', frisou o senador.
Segundo o político, os democratas só estão atacando o presidente por causa da campanha presidencial de 2004. ''Foi dada a largada para a temporada política'', afirmou.

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