Bush enfrenta fortes ataques
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de julho de 2003
France Presse 
Washington Os democratas multiplicam seus ataques ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, já debilitado pelas dificuldades no Iraque, pela polêmica sobre as armas de destruição em massa e pela economia combalida do país. A ação é vista por analistas como um potapé inicial às eleições presidenciais de 2004.
A queda da popularidade do presidente nas recentes pesquisas (o pior índice desde janeiro), a crescente comparação da imprensa entre a polêmica sobre as armas iraquianas e o escândalo Watergate, e os debates sobre as informações divulgadas durante a guerra deram força extra à oposição democrata, até agora branda.
Os democratas não têm se limitado a atacar o presidente pela utilização de informações duvidosas em seus discursos sobre o estado da União em janeiro último. O partido da oposição tem atirado em várias direções, desde os crescentes déficits até o aumento no desemprego, passando pelo custo da guerra do Iraque e a deteriorada imagem americana no mundo.
A disputa já está aberta, concordam especialistas, e os democratas contam com incontáveis armas para minar os republicanos.
''Há muitos fatos contra e quase nenhum favorável ao presidente'', sustenta Karlyn Bowman, analista política do centro de pesquisas American Enterprise Institute. ''É um período muito complicado para Bush''.
Economia A líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, convocou uma entrevista coletiva na quinta-feira para denunciar o balanço enconômico do governo, advertindo que a situação não poderia ser pior com os déficits sem precedentes anunciados nos últimos dias.
''Bush agravou a situação estimulando reduções de impostos, que não ajudam a economia'', afirmou Pelosi. ''Mais de três milhões de americanos estão sem empregos e esta semana a administração revelou que o déficit orçamentário chegará a 455 bilhões de dólares um dos mais altos da história dos Estados Unidos'', frisou.
Custo da guerra Um senador democrata se dedicou, pelo seu lado, a criticar o custo da presença americana no Iraque e no Afeganistão.
Contudo, o custo humano das operações é o mais preocupante, fizeram questão de lembrar os democratas.
O Pentágono classificou o momento no Iraque como uma ''guerra de guerrilhas'', já que militares americanos enfrentam ataques diários na região e anunciou ainda que as tropas regressariam mais tarde do que o previsto aos EUA, por causa da insegurança no país asiático.
O senador Russel Feingold acusou, por sua vez, a administração de concentrar todos os seus esforços no Iraque, deixando de lado a guerra cotra o terrorismo. ''O combate ao Al Qaeda deveria ser nossa prioridade absoluta'', declarou.
Resposta Os republicanos denunciam as acusações como tentativas desesperadas da oposição para debilitar o atual presidente. Para o senador Richard Shelby, a polêmica sobre as informações que desencadearam a guerra no Iraque é uma tempestade em um copo d'água.
''Isso será dissipado... não há material suficiente para que dure por muito tempo'', frisou o senador.
Segundo o político, os democratas só estão atacando o presidente por causa da campanha presidencial de 2004. ''Foi dada a largada para a temporada política'', afirmou.


