Bruxelas - Os dirigentes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) aproveitaram a visita do presidente americano, George W. Bush, ontem, para se comprometerem a reforçar a aliança como ''fórum principal'' de consulta transatlântica, após o pedido da França e da Alemanha de modernizar o diálogo com Washington.
''Queremos reforçar o papel da Otan de coordenação entre os aliados sobre as questões estratégicas e políticas e reiteramos seu papel de fórum principal de consulta entre a Europa e a América em assuntos de segurança'', declararam, em comunicado divulgado ao término da reunião.
Bush insistiu em que a Otan deva ser um fórum no qual seus membros se sintam à vontade falando de temas estratégicos.
O papel político da Otan foi questionado recentemente pelo chanceler alemão, Gerhard Schroeder, para quem a Aliança já não é o principal local para os sócios transatlânticos debaterem e coordenarem suas estratégicas. Segundo Schroeder, o diálogo na Otan em sua atual forma não faz justiça à importância crescente da UE nem às novas exigências da cooperação transatlântica''.
O presidente francês, Jacques Chirac, manifestou seu total apoio à proposta alemã e reforçou o pedido de ''mais diálogo'' entre a Europa e os Estados Unidos, levando-se em conta as mudanças ocorridas no continente europeu.
Na reunião de cúpula da qual participaram os 26 presidentes da Otan ontem em Bruxelas, Bush tentou encerrar com seus aliados a crise provocada pela guerra do Iraque e ganhar ajuda de todos para a reconstrução do país árabe.
O presidente americano também fez questão de desmentir categoricamente as especulações segundo as quais os Estados Unidos estariam preparando um ataque militar contra o Irã, mas reafirmou não descartar nenhuma hipótese se Teerã não renunciar a suas ambições nucleares.
Antes disso, os aliados se reuniram com o novo presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, e garantiram ajuda a seu país, de modo a concretizar o desejo de se tornar membro da Otan. Bush também expressou ''preocupação'' com o possível levantamento do embargo europeu às armas da China, porque ''transferir armas significaria transferir tecnologia, o que pode alterar o equilíbrio entre China e Taiwan'', explicou.

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