Tempe - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e seu adversário democrata à Casa Branca, John Kerry, prepararam ontem o último debate televisivo, previsto para hoje em Arizona, em um momento em que as pesquisas de opinião, que apontam um empate técnico entre os dois candidatos, permitem prever um final de campanha mais agressivo do que nunca.
Kerry passou o dia de ontem isolado em um hotel de Santa Fe (Novo México, sudoeste) para preparar este terceiro debate, no qual serão evocados temas referentes à política interna. Por sua vez, o presidente Bush participou na manhã de ontem de uma reunião eleitoral em Colorado, estado onde obteve uma vitória clara em 2000, mas onde aparece agora em dificuldade. Durante os dois precedentes debates, ''meu adversário mostrou, tema por tema, porque ganhou o título de legislador mais à esquerda do Senado americano'', declarou Bush em Colorado Springs.
O debate de hoje em Tempe (Arizona, sudoeste) será para os dois candidatos a última oportunidade de se enfrentar ao vivo ante os americanos, a três semanas da eleição presidencial do dia 2 de novembro. As questões econômicas e sociais, principais preocupações dos eleitores, serão os temas centrais deste último debate. As pesquisas revelam que sobre estes assuntos, os americanos confiam mais em Kerry de que em Bush.
O candidato democrata, que critica o governo republicano de Bush por ter perdido mais de um milhão e meio de empregos no setor privado desde 2001, poderá explorar os dados sobre a pobreza divulgados ontem, segundo os quais um quarto dos trabalhadores americanos são muito vulneráveis economicamente.
O estudo sobre a pobreza, dirigido por diversas fundações privadas, afirma que existe nos Estados Unidos ''um declínio dos empregos tradicionais bem remunerados que propiciam aos trabalhadores chances sérias de aceder às classes médias''.
Por sua vez, Bush poderá se vangloriar da criação de cerca de dois milhões de empregos em um ano, e de ter retirado o país da ''mais breve recessão de sua história'' com suas reduções de impostos. Em se tratando das questões sociais, a morte, no domingo, de 'Super-Homem' o ator Christopher Reeve, muito comprometido com o apoio às pesquisas com células tronco, permitirá a Kerry insistir em sua fé na ciência.
Os dois precedentes debates, nos quais foi amplamente evocada a situação iraquiana, foram assistidos por 62 e 47 milhões de pessoas, de acordo com o instituto especializado Nielsen. Kerry foi considerado bem superior a Bush no primeiro debate, o que lhe permitiu melhorar significativamente nas pesquisas de opinião. O segundo debate, realizado na semana passada, terminou virtualmente empatado.
De acordo com um estudo da rede de televisao CBS publicado ontem, Bush ganha por um fio em termos de intenções de voto: 48% contra 45% para Kerry. Neste contexto eleitoral tenso, as duas equipes de campanha vêm multiplicando os ataques diretos. O presidente republicano acusou na última segunda-feira seu adversário democrata de reduzir o terrorismo a um ''incômodo'', e Kerry criticou o atual governo por ter tornado o país ''mais dependente do petróleo estrangeiro'' do que era em 2001.

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