Crawford - O presidente republicano George W. Bush e o democrata John Kerry estão disputando os votos de militares e ex-combatentes para ganhar as eleições americanas de 2 de novembro, mas as críticas ao desempenho de Kerry durante a guerra do Vietnã parecem tê-lo debilitado.
Os militares e veteranos de guerra costumam votar nos republicanos e Bush fez de seu pepel de comandante-em-chefe para liderar a guerra no Iraque e a luta antiterrorista um dos fatores predominantes de sua campanha.
Kerry, de 60 anos, reverteu sua desvantagem inicial neste terreno evocando as numerosas medalhas obtidas por seu desempenho durante a guerra do Vietnã no final dos anos 60 e se rodeou em sua campanha de ex-combatentes dessa guerra em que 50.000 soldados americanos perderam a vida.
O senador democrata por Massachusetts (nordeste) também critica seu adversário por não ter sabido manejar o conflito no Iraque, onde as forças americanas sofreram umas 950 baixas desde março de 2003.
Bush, de 58 anos, se livrou de combater no Vietnã alistando-se na Guarda Nacional, cujos efetivos não eram enviados para a guerra. O número de militares ativos nos Estados Unidos é de 1,4 milhão, aos quais se somam cerca de 1,2 milhão de reservistas e membros da Guarda Nacional. Os ex-combatentes somam 27 milhões e representam 20% do eleitorado. Bush tem multiplicado as iniciativas em seu favor. Na segunda-feira, anunciou um plano de repatriação, ao longo de 10 anos, de cerca de 70.000 soldados mobilizados na Europa e Ásia. ''Isto reduzirá a pressão sobre as tropas e nossas famílias militares'', assegurou. O orçamento para 2005 também prevê conceder aos militares um aumento salarial de 3,5%, superior ao dos demais funcionários públicos.
Nesta semana Bush propôs aumentar a verba mensal para educação a todos os membros da Guarda Nacional e reservistas mobilizados por mais de 90 dias consecutivos. A mobilização prolongada no Iraque tem gerado entre alguns deles certo descontentamento. Um reservista acaba de tentar ações na justiça contra o secretário de Defesa Donald Rumsfeld por tê-lo forçado a prolongar sua missão no Iraque além do período estabelecido em seu contrato.
Neste contexto, houve um momento em que Kerry chegou a reverter sua desvantagem inicial. Pesquisas do final de julho mostravam as simpatias dos veteranos de guerra de dividiam entre os candidatos: 46% para cada um.
Mas o apoio de Kerry neste setor caiu. Uma pesquisa da rede CBS realizada em agosto deu a Bush 55% de adesões dos ex-combatentes, contra 37% para seu adversário democrata. A polêmica sobre o desempenho de Kerry durante seu serviço no Vietnã foi levantanda por ex-combantes que serviram na mesma unidade do candidato aparecendo em anúncios televisivos para acusá-lo de exagerar seu heroísmo e mentir sobre seus
ferimentos.
Kerry, em resposta, apresentou queixa ante a comissão federal que controla o processo eleitoral, acusando estes ex-combatentes de ter vínculos ''ilegais'' com a campanha de Bush.

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