Washington Os Estados Unidos lançariam uma guerra de novo, sozinhos se necessário, para garantir a segurança do mundo a longo prazo, disse o presidente George W. Bush em entrevista publicada ontem. Bush disse ao ''Sun', principal tablóide do Reino Unido, que se sentiu forçado a agir depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 nos EUA. ''Eu estava no 'ponto zero' (o centro dos escombros do World Trade Center) depois dos ataques'', afirmou. ''Lembro-me da fumaça e do cheiro de morte e destruição. Eu sempre me lembrarei daquilo'', disse. ''Eu me convenci naquele momento. Estávamos em guerra e iríamos ganhar a guerra. E ainda hoje sinto essa determinação'', declarou.
Tirania Segundo o jornal, Bush afirmou que as forças norte-americanas e seus aliados da coalizão colocaram fim à tirania de Saddam Hussein no Iraque, acabaram com o domínio da rede Al Qaeda, de Osama bin Laden, no Afeganistão e forçaram a ONU a deixar de dar as costas ao terrorismo.
O ''Sun', mais conhecido pelas imagens de garotas seminuas publicadas na página três, é de propriedade da News Corp., de Rupert Murdoch, o conglomerado de mídia mais influente no Reino Unido.
A decisão de Bush de dar entrevista ao tablóide preocupou jornalistas norte-americanos, que questionaram sua adequação a um presidente que divulgou sua adesão ao protestantismo evangélico. ''Depois de assumir o cargo com a promessa de restaurar a dignidade da Casa Branca, o presidente (...) concede uma entrevista exclusiva a um tablóide britânico que publica fotos diárias de mulheres nuas'', disse o jornal ''Washington Post' em artigo no seu site. O ''Washington Post' afirmou que o presidente norte-americano não concedeu entrevistas exclusivas a muitos dos jornais dos EUA neste ano.
Segurança Cerca de 14 mil policiais foram mobilizados para garantir a segurança durante a visita de Estado do presidente americano, George W. Bush, ao Reino Unido, segundo informações da Scotland Yard (polícia britânica). Anteriormente, havia sido anunciada a mobilização de 5.000 agentes.
O custo sem precedente da operação de segurança em torno da visita do presidente americano pode ultrapassar 4 milhões de libras (R$ 19,7 milhões, aproximadamente), de acordo com John Stevens, chefe da polícia de Londres, que também afirmou ter cancelado as férias de todos os oficiais de Londres durante a visita de Bush.
As ruas de Londres já estão sendo bloqueadas para a visita do presidente dos EUA, que chega ao Reino Unido hoje à noite e fica até sexta-feira.
Manifestações O grupo britânico Stop the War Coalition disse que 100 mil pessoas assinaram uma petição declarando que Bush não é bem-vindo ao Reino Unido e que ele não deveria ter sido convidado. Pela manhã, o premiê britânico, Tony Blair, defendeu publicamente sua iniciativa de convidar o presidente americano para uma visita ao país. Esta é a primeira vez que Bush vai à Europa desde o início da guerra do Iraque, em 20 de março.

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