São Paulo - O presidente americano, George W. Bush, fez ontem um discurso para marcar o 1º aniversário da entrega da ''soberania'' do Iraque às autoridades do país em um dia em que a fragilidade da segurança ficou mais uma vez exposta com a morte de 22 pessoas.
Bush tentou reverter a queda de sua popularidade e de apoio a suas ações no Iraque, apontadas por várias pesquisas populares realizadas nos Estados Unidos. Até o momento, a Guerra do Iraque, iniciada em março de 2003, já matou 1.740 soldados dos EUA, e milhares de civis iraquianos.
Na manhã de ontem, em mais um ato que mostra a falta do controle da segurança no Iraque, a explosão de um carro-bomba na capital Bagdá matou o parlamentar xiita Dhari Ali al Fayadh, 87 anos, seu filho e mais dois guarda-costas. A ação reivindicada pelo principal inimigo dos EUA em liberdade no Iraque: o terrorista jordaniano Abu Musab al Zarqawi.
Ataques rebeldes fizeram ainda outras 21 vítimas, incluindo dois soldados dos EUA, além de policiais e civis iraquianos. A soberania do Iraque foi entregue em 28 de junho de 2004 pelo administrador americano Paul Bremer a Iyad Allawi, que, à época, era primeiro-ministro interino do Iraque.
Na segunda-feira, o jornal americano ''The Washington Post'' divulgou uma pesquisa em que mostra que, pela primeira vez, a maioria dos americanos (53%) diz acreditar que o governo dos EUA os ''enganou deliberadamente'' durante a preparação para a guerra no Iraque.
Em uma entrevista realizada ontem, a secretária americana de Estado, Condoleezza Rice, falou à rede de TV NBC que Bush deve pedir ''paciência'' aos americanos. Na segunda-feira, em discurso em Fort Bragg (Carolina do Norte), Bush já falara da necessidade de manter o ''curso da operação no Iraque'', apesar das ''tristes imagens'' dos ataques insurgentes, realizados diariamente.
Bush também afirmou que não vai sair do Iraque até que as forças de segurança iraquianas estejam devidamente treinadas e equipadas para manter a paz. Congressistas democratas e alguns republicanos (partidários de Bush) apóiam uma resolução que tramita do Congresso americano para que a retirada americana do Iraque seja iniciada em outubro de 2006.

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