O presidente dos Estados Unidos George W. Bush fez um apelo ontem, em Bruxelas, a seus 18 aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para que se ‘‘preparem para as novas ameaças’’, em sua primeira intervenção em uma reunião de cúpula da Aliança Atlântica, na qual vai expor seu projeto de sistema antimísseis.
Depois de enumerar os êxitos da (OTAN) até agora, entre eles ‘‘acabar com o comunismo e levar a guerra fria a um final sem sangue’’, Bush pediu para ‘‘reforçar a Aliança, modernizar suas forças’’, ‘‘estender nossas mãos a novos membros na Europa’’, ‘‘reforçar a cooperação com a Rússia e a Ucrânia’’ e prosseguir com as ações nos Bálcãs.
Bush chegou da Espanha, etapa inicial seu giro pela Europa, que inclui sua participação hoje, na Suécia, na cúpula entre a União Européia (UE) e os Estados Unidos.
Enquanto era recebido em sua chegada à sede da OTAN, em Bruxelas, pelo secretário-geral George Robertson, diante do local manifestavam-se cerca de cem pessoas, que gritavam ‘‘Bush go home’’ e exibiam faixas nas quais se lia ‘‘Stop star wars’’. Cerca de 30 manifestantes foram detidos.
Como fez na Espanha, Bush explicará a seus aliados a necessidade de adotar um escudo antimísseis para proteger-se de possíveis ataques de alguns países, proposta rejeitada pela Rússia, China e alguns países europeus.
Na véspera, em Madri, o presidente do Governo espanhol, José María Aznar, e seu colega americano firmaram uma declaração conjunta ‘‘sobre a necessidade de uma estratégia de segurança total que abarque os sistemas dissuasivos, tanto ofensivos como defensivos, prossiga com a redução das armas nucleares e fortaleça os controles contra a proliferação das armas de destruição maciça’’.
O presidente americano reiterou que o tratado antimísseis balísticos ABM, firmado em 1972 entre os Estados Unidos e a União Soviética, é um ‘‘vestígio do passado’’. Por sua parte, o presidente francês Jacques Chirac assinalou, em sua intervenção ante seus sócios, a ‘‘necessidade de preservar os equilíbrios estratégicos’’, entre os quais o tratado ABM, que ‘‘é um pilar’’.
A discussão sobre a necessidade de um sistema contra mísseis não será o único assunto da cúpula, na qual os líderes da OTAN também analisarão a situação na Macedônia, onde a Aliança trabalha junto com a União Européia (UE) para pôr fim ao conflito entre a guerrilha albanesa e o exército.
Depois da Suécia, Bush segue para a Polônia e Eslovênia, onde, no sábado, se reunirá na capital, Ljubliana, com o presidente russo Vladimir Putin.

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