São Paulo - O presidente George W. Bush mudou seu discurso a respeito dos resultados dos Estados Unidos na Guerra do Iraque. Em outubro, Bush havia dito que a coalizão liderada pelos EUA vencia o conflito. Ontem, em sua última entrevista coletiva deste ano, o presidente reconheceu o sucesso de algumas ações da insurgência iraquiana e disse que aumentará o número de soldados americanos e marines no Iraque.
Uma entrevista exclusiva publicada ontem pelo jornal ''The Washington Post'' já sinalizava a mudança na retórica do presidente. Bush admitiu pela primeira vez que os EUA ''não estão ganhando nem perdendo a Guerra do Iraque''. ''Eles (os insurgentes) consideram ser questão de tempo até que consigam vencer (a guerra)'', disse Bush.
A proposta da Casa Branca prevê o envio a Bagdá de 15 mil a 30 mil homens para reforçar os 17 mil que já estão na capital iraquiana, durante um período de seis a oito meses.
A idéia não conta com o apoio do Estado-Maior, que apresentaram suas críticas ao próprio Bush durante uma reunião na semana passada no Pentágono. Eles pediram um aumento geral do pessoal das Forças Armadas, com um orçamento maior. Bush até agora era contra um aumento dos efetivos das Forças Armadas, mas ao ''Washington Post, o presidente dos EUA mudou sua fala, afirmando que ''hoje está inclinado a crer que é necessário aumentar as tropas, o Exército, os marines.''
Numa aparente referência ao extremismo islâmico, Bush definiu o conflito atual como ''uma guerra ideológica'', que vai ''durar um bom tempo e exigir forças armadas capazes de sustentar esforços e conquistar a paz''.
Só o Exército conta com 500 mil homens, e dentro de um ou dois anos pode ganhar mais 70 mil. O custo para cada 10 mil a mais é calculado em US$ 1,2 bilhão. O recrutamento e formação demorariam mais de um ano.
O Washington Post questionou a afirmação dada há poucos dias pelo general da reserva Colin Powell, ex-secretário de Estado e ex-assessor de Segurança Nacional, em que disse que as Forças Armadas ''estão quebradas'' pela sobrecarga dos conflitos no Afeganistão e Iraque. Bush respondeu que ''o termo usado não foi 'quebradas', mas sim 'estressadas'''.

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