Washington - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, assinou ontem a lei que permite a construção de um muro de aproximadamente 1,2 km no limite sul com o México.
''Esta lei tornará nossas fronteiras mais seguras'', disse Bush, segundos antes de assinar o texto enviado pelo Congresso, ao lado do vice-presidente Dick Cheney e de vários integrantes de seu gabinete, na Casa Branca.
''Temos a responsabilidade de proteger nossas fronteiras'', acrescentou Bush, reiterando um pedido enviado ao Congresso de aprovação de um programa de concessão de vistos temporários de trabalho para pessoas que busquem imigrar para os Estados Unidos.
Bush autorizou no início de outubro um orçamento de 1,2 bilhão de dólares para a construção do muro, que, segundo especialistas e políticos, está muito longe dos 6 a 8 bilhões de dólares que a obra demandará. Cerca de 53% dos americanos se opõem à construção, segundo uma pesquisa realizada por Opinion Research Corp. para a rede CNN.
No entanto, 74% das 1.013 pessoas ouvidas entre os dias 20 e 23 de outubro se declararam a favor do envio de mais agentes à fronteira para frear a entrada, através do México, de imigrantes ilegais; 58% pediram severas multas para os patrões que contratassem trabalhadores sem documentos. ''Somos uma nação de imigrantes, e uma nação que respeita a lei'', destacou Bush.
O presidente pôs, assim, em vigor, a menos de duas semanas das eleições legislativas de meados de mandato nos Estados Unidos, no dia 7 de novembro, uma lei que contém a única disposição migratória que sobreviveu no Congresso .
O próprio Bush reconheceu, no entanto, que uma barreira física deste tipo não deterá a imigração ilegal que chega aos Estados Unidos através da porosa fronteira do sul do país.
A iniciativa foi rejeitada pelo México e por vários países da América Central e do Sul, que a consideraram ''errônea'' e ''lamentável''.
O México havia anunciado segunda-feira passada que encaminhará um projeto de resolução, de protesto contra a iniciativa, à Assembléia Geral da ONU, informou o presidente do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, Luis Alfonso de Alba.

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