Os Estados Unidos preveniram ao Conselho de Segurança da ONU que poderão realizar ''novas ações'' contra outras organizações e Estados depois de seus bombardeios contra o Afeganistão, indicaram ontem fontes diplomáticas. O governo norte-americano justificou, em uma carta ao Conselho de Segurança da ONU, os ataques no Afeganistão como ''legítima defesa'', conforme a carta das Nações Unidas. Na mensagem, os norte-americanos declararam ''ter iniciado ações no exercício do seu direito de legítima defesa, individual ou coletiva''.
Por seu turno, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, afirmou que os bombardeios norte-americanos e britânicos no Afeganistão estavam justificados pela legítima defesa depois dos atentados de 11 de setembro. Em uma declaração solene, transmitida pela televisão da ONU, Annan também pediu que se estabeleça no Afeganistão um governo ''de união, plenamente representativo e multiétnico''.
Ele lembrou que o Conselho de Segurança se declarou ''determinado a combater por todos os meios as ameaças à paz e segurança internacionais''. ''O Conselho também reafirmou o direito inerente à legítima defesa, conforme a Carta das Nações Unidas. Foi nesse contexto que os Estados envolvidos lançaram suas operações militares no Afeganistão'', disse.
Campanha longaA campanha contra o terrorismo internacional pode durar vários anos, disse ontem o secretário da defesa norte-americano, Donald Rumsfeld. A campanha ''pode provavelmente ser sustentada durante vários anos'', disse Rumsfeld numa coletiva no Pentágono, acompanhado pelo chefe do estado-maior conjunto, general Richard Myers.
Rumsfeld assinalou que todos os alvos bombardeados foram exclusivamente instalações militares. Observou que a campanha ''não é simples, não é limpa, e não há uma bala mágica'', para eliminar o inimigo, mas insistiu em que as ações vão continuar ''até que os terroristas deixem de constituir uma ameaça''.
Ação terrestreO uso de forças terrestres no Afeganistão é ''uma opção'', mas ainda é muito cedo para tomar uma decisão a esse respeito, declarou ontem, em Londres, o ministro britânico da Defesa, Geoff Hoon. A legalidade da ofensiva que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha desencadearam na noite deste domingo no Afeganistão está fundada no princípio de ''autodefesa'', acrescentou o ministro.

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