Alentado pelas pesquisas de opinião, que o colocam à frente do vice-presidente Albert Gore por margens que variam entre 1 e 7 pontos percentuais na votação popular, o governador do Texas, George W. Bush, amanheceu ontem na Califórnia para tentar selar sua vitória nas eleições da próxima terça-feira.
Mais populoso estado norte-americano, a Califórnia estava solidamente com Gore até a semana passada. Mas um intenso esforço dos republicanos reduziu a vantagem do vice-presidente a meros 7 pontos e colocou o estado novamente em jogo.
Bush tinha vantagem de 49% a 42% em pesquisa Gallup-CNN-USA-Today, considerada a mais volátil e menos confiável pelos analistas. Sua dianteira era de 45% a 42% e de 47% a 46%, respectivamente, nas mais respeitadas sondagens Reuters-Zogby e Washington Post e estavam, em ambas, dentro da margem de erro.
‘‘A eleição está empatada, o resultado é imprevisível e acho que continuará assim até o momento em que os eleitores entrarem na cabine de votação’’, disse John Zogby, um dos responsáveis pelas pesquisas.
Acompanhado pelo senador John McCain, seu ex-rival na briga pela candidatura republicana e um político popular entre os eleitores independentes que podem decidir o pleito, Bush iniciou um giro de 36 horas pelo Estado para forçar Gore a responder, investindo tempo e dinheiro num lugar onde tem mais chance de ganhar mas não pode dar-se ao luxo de perder, e reduzir sua campanha nos estados do Meio-Oeste.
Embora inicie a semana final da campanha em posição de desvantagem, lutando para convencer os americanos de que o fato de ser menos simpático do que seu rival não deve ser critério para decidir seu voto, Gore continuava ontem no páreo.
Na verdade, ele mantinha ontem ligeira vantagem sobre Bush em algumas projeções sobre a distribuição dos votos do colégio de 538 votos eleitorais, que refletem o tamanho relativo da população dos estados e são alocados de acordo com o vencedor da votação popular em cada um deles.
Com Gore à frente em Wisconsin, Flórida, Illinois e Washington, uma estimativa da agência Reuters dava-lhe 222 votos eleitorais contra 216 para Bush, com outros 102 em disputa. Para chegar à Casa Branca, o candidato precisa vencer a eleição popular num número de estados que some 270 votos no colégio eleitoral.