As equipes multinacionais de resgate, com seus membros física e psicologicamente exaustos, encerraram oficialmente ontem sua missão, cinco dias após o atentado à bomba contra a Embaixada dos Estados Unidos no Quênia, que deixou 247 mortos - entre eles 12 americanos - e 5 mil feridos.
Os socorristas israelenses, americanos, franceses e quenianos, assim como funcionários e diplomatas desses países, reuniram-se diante dos destroços do edifício Ufundi House para prestar uma homenagem às vítimas. Após um minuto de silêncio, líderes dos grupos de resgate depositaram coroas de flores sobre o local da explosão. A embaixadora americana em Nairóbi, Prudence Bushnell, que foi levemente ferida no ataque, depositou um buquê de rosas vermelhas.
As equipes, que trabalharam ininterruptamente desde o atentado, desistiram ontem de procurar por sobreviventes entre as camadas de concreto e metal retorcido depois de terem retirado mais 24 corpos dos escombros, entre eles o de Rose Wanjiku - a mulher cujos chamados lhes havia dado a esperança de que podiam encontrar mais pessoas com vida.
Foram resgatados 3 sobreviventes e 95 cadáveres entre os escombros, muitos tão mutilados que ainda estão no principal necrotério de Nairóbi sem que tenham sido identificados.
Por sua vez, os investigadores do FBI prosseguiam ontem analisando os restos de uma caminhonete, aparentemente usada no atentado. O presidente queniano, Daniel Arap Moi, anunciou ontem, sem dar maiores detalhes, que a polícia havia detido várias pessoas suspeitas de estar implicadas no ataque contra a representação americana.
A polícia da Tanzânia libertou ontem Muhamed Hassan Qassim, de origem somali naturalizado australiano, que havia sido preso dois dias depois do atentado contra a Embaixada dos EUA em Dar Es-Salaam, que deixou 10 mortos e 72 feridos. Qassim acabava de chegar à Tanzânia com a mulher e os cinco filhos para assumir um cargo no Alto Comissariado da ONU para Refugiados. A polícia tanzaniana deteve 14 pessoas para investigação.
Várias embaixadas dos EUA suspenderam temporariamente seus trabalhos depois de terem recebido ameaças de bomba. Na terça-feira, receberam ameaças as representações no Egito, na Malásia e no Iêmen e ontem na Argentina e na Romênia.
A secretária de Estado, Madeleine Albright, disse que os EUA não reduzirão sua presença na África. Antes de partir para a Alemanha onde visitará, na base americana em Ramstein, vários feridos dos atentados e acompanhará o traslado de 11 dos 12 americanos mortos em Nairóbi, Albright assegurou que os EUA não se deixarão intimidar pelos ataques.
Os corpos das vítimas devem chegar hoje aos Estados Unidos. O presidente Bill Clinton participará, na base aérea de Andrews, logo após o desembarque dos caixões, de uma cerimônia em homenagem aos americanos mortos no Quênia, que receberão honras de heróis nacionais.

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