Buraco na camada de ozônio atinge recorde
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quinta-feira, 09 de outubro de 2003
France Presse 
México-O buraco na camada de ozônio atingiu este ano o tamanho recorde de 28,5 milhões de quilômetros quadrados, superior à extensão da América do Norte, e sua recuperação não ocorrerá antes de 50 anos, afirmou Marco González, secretário de ozônio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
''O buraco atingiu 28,5 milhões de quilômetros quadrados no início de setembro deste ano e não diminui, chegamos ao pico das concentrações de gases nocivos e a recuperação total se dará em não menos de cinco décadas'', disse González, durante uma reunião no México de especialistas governamentais sobre o ozônio na América Latina.
A camada de ozônio é um escudo protetor da atmosfera que impede a passagem dos raios ultravioletas do sol e que se não for detida aumentará em 26% os casos de câncer de pele e em 2 milhões os casos de cataratas ao ano, de acordo com dados de Environment Canada.
O funcionário das Nações Unidas disse que as substâncias que afetam a camada de ozônio foram reduzidas em 90% no planeta, no entanto nos países em desenvolvimento ainda são usados produtos nocivos, em especial o fertilizante brometo de metila e os gases de refrigeradores antigos.
''O planeta estava à beira de um colapso porque o fitoplâncton (minúsculas plantas marinhas que formam a base do ecossistema) estava sendo destruído antes de que fossem tomadas medidas; o combate aos danos na camada de ozônio é uma das vitórias ambientais'', concluiu González.
Alfonso Liau, representante costa-riquenho na reunião, convocou os países latino-americanos a se darem conta de que com ''a conservação da biodiversidade todos ganham e traz benefícios econômicos, além do que a Terra é uma ilha onde toda a contaminação afeta o mundo inteiro''.
O coordenador do programa para o ozônio no Chile, Jorge Leyva, disse à AFP que ''durante esta década estamos no pior momento do buraco na atmosfera, mas em meados do século a camada estará restituída se continuarem os esforços para reverter o efeito''.
O especialista chileno considerou que a cidadania ''deve exigir às empresas que só utilizem produtos que não afetem o ambiente'' e recomendou aos camponeses que utilizem alternativas aos pesticidas para lidar com as pragas e a solarização.
''Entre as medidas a serem tomadas está a de que as pessoas façam o esforço para renovar os refrigeradores fabricados antes de 1990, que são muito nocivos'', disse à AFP o uruguaio Guillermo Castella, funcionário da Organização de Desenvolvimento Industrial das Nações Unidas.
Castella convocou as indústrias e os governos a descartarem o uso de qualquer produto ou artefato com tecnologia antiga que prejudique o ozônio, como os ares-condicionados antigos, pesticidas e todo tipo de aerosol que contenha clorofluorocarbonetos.


