Búlgaros sofrem com inflação desenfreada
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de fevereiro de 1997
Vessela Sergueva, da France Presse 
SÓFIA - Os búlgaros assistem perplexos e desesperados a uma vertiginosa carestia - com preços que aumentam de hora em hora - e ao fechamento de centenas de estabelecimentos comerciais.
Nunca a Bulgária teve uma inflação como esta, mesmo depois da guerra, afirmou um septuagenário enquanto olhava desanimado para a vitrine de um açougue.
Aos velhos não resta outra coisa senão a morte, declarava, chorando, Lubka, uma aposentada de 67 anos. Lubka e seu marido, ex-funcionários públicos, dispõem de 14 mil lev (menos de 14 dólares) por mês. Metade deste dinheiro vai para a calefação e 4.500 para a compra de pães. Graças a um pequeno pedaço de terra que cultivam em um povoado vizinho, têm verduras e compotas de frutas. Raras vezes compram carne e Lubka não se envergonha de trabalhar na casa de vizinhas de melhor situação financeira.
Centenas de lojas fecham em todo o país. Não ganhamos o suficiente para o nosso sustento. Os preços são impossíveis de prever, resumiu um vendedor.
Nas lojas abertas, há pouco para escolher. As pessoas compram muitos produtos não perecíveis, como açúcar, óleo, farinha e arroz, e os conservam como durante a guerra, segundo o jornal independente Standard.
Os clientes pechincham com os vendedores e criticam o governo. No mercado, as pessoas olham as prateleiras como quem vai a uma exposição.
Segundo a polícia, os roubos se multiplicaram desde o início do ano.
Desde janeiro, a hiperinflação reina na Bulgária, enquanto a política se agrava. A moeda nacional sofreu uma desvalorização de 40 % em uma semana e cerca de 100 % desde o início do ano.
As pessoas que contam com poupanças nos bancos búlgaros estão sendo obrigadas a retirar suas economias para trocá-las por dólares, que logo escondem em casa.


