Bulgária podera recorrer à moratória
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de janeiro de 1997
Reuter, 
de Sófia
Trabalhadores de vários setores entraram em greve ontem atendendo ao pedido das três principais organizações sindicais da Bulgária, em protesto contra o governo socialista. Expressando a gravidade da situação do país, o presidente liberal Petar Stoyanov - que tomou posse na semana passada - tornou público ontem o que muitos já sabiam, mas não era admitido pelo governo: a dívida externa búlgara está em US$ 10 bilhões e pode levar o país à bancarrota. Stoyanov declarou ontem que pode recorrer à moratória caso haja perigo de uma explosão social e crise financeira grave por causa do pagamento dos pesados juros da dívida.
Milhares de pessoas saíram às ruas ontem no 24º dia de manifestações populares para exigir eleições imediatas, planejando cumprir 24 horas initerruptas de protestos em Sófia. Professores, funcionários do setor de transportes, mineiros, médicos e operários de todo o país paralisaram suas atividades por pelo menos uma hora durante o dia em apoio às passeatas realizadas diariamente por estudantes e operários da capital. Os serviços de trem entre Bourgas, na costa do Mar Negro, e Plovdic, a segunda cidade do país, foram suspensos e a autoestrada para o porto de Rousse, no rio Danúbio, foi bloqueada.
As manifestações contra o governo socialista começaram depois que o então primeiro-ministro socialista Zhan Videnov renunciou em 21 de dezembro, depois da vitória folgada de Stoyanov. Mas desde então, os socialistas empossaram um governo transitório e se recusam a atender às exigências de eleições legislativas e municipais.
Com muito bom humor, os jovens búlgaros escolheram durante as manifestações de ontem a Miss Protesto e o Mister Vagabundo, ironizando as acusações do governo de que os protestos estão sendo realizados por jovens vagabundos e desempregados. Terça-feira, os manifestantes já haviam marchado pela capital carregando toalhas e sabonetes para expressar seu descrédito em relação à operação mãos limpas que os socialistas haviam anunciado contra a corrupção no governo.
Inúmeros manifestantes pararam durante cinco horas o trânsito na rodovia internacional entre Rousse e Sófia (norte), onde o engarrafamento alcançava sete quilômetros. Também foram bloqueadas outra rodovia internacional e a linha ferroviária entre Sófia e Culata (sul). Em Lom, às margens do Danúbio, a sede do Partido Socialista (PSB, ex-comunista no poder), foi cercada por uma cadeia humana que protestava contra a queda do padrão de vida.
Terça-feira, os estudantes foram recebidos pelo primeiro-ministro designado, Nikolai Dobrev, do PSB, a quem o presidente Petar Stoianov encomendou a formação de um novo governo.


