Bucaram garante que volta ao poder
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sexta-feira, 14 de fevereiro de 1997
Reuter, de Buenos Aires 
O destituído presidente do Equador, Abdalá Bucaram, em seu segundo dia de visita à Argentina, continuou ontem sua campanha para tentar recuperar o poder em seu país e disse que em breve voltará ao palácio presidencial. Bucaram insistiu que foi deposto por um golpe militarista disfarçado de civil.
O presidente americano, Bill Clinton, toca o saxofone, o argentino Carlos Menem ama o futebol, mas nenhum deles foi deposto por incapacidade mental, declarou Bucaram, em uma entrevista coletiva. Minha conduta em público é a mesma que na vida privada, por isso dizem que sou louco, desabafou. Lembrem-se que quando canto, consigo US$ 1 milhão para os pobres... é um trabalho social. Seus adversários no Congresso equatoriano acusam-no de agravar a crise econômica do país e de manchar a honra nacional.
Alarcón Em Quito, o presidente Fabián Alarcón cumpriu ontem uma apertada agenda de negociações, reunindo-se com líderes dos diferentes setores e partidos que o levaram ao poder, na busca de uma fórmula que lhe permita governar.
Mas em meio a tentativa de costurar uma frente de apoio ao seu governo, o novo presidente, que tomou posse seguindo a destituição de Abdalá Bucaram pelo Congresso, já adiantou que as coisas não estão para abrir demasiadas concessões, diante do que qualificou como um caótico estado das finanças públicas.
A situação em que recebemos o país (...) é realmente catastrófica. Estamos próximos de um colapso, especialmente nos campos econômico e social, declarou o presidente em uma entrevista coletiva à imprensa.
O primeiro ato de Alarcón depois de assumir a presidência foi anular várias das medidas econômicas impopulares que culminaram com a queda de Bucaram. Entre estas medidas, que inclui a incerta convertibilidade da moeda, foram excluídos os aumentos superiores a 200% nas tarifas de eletricidade e no preço do gás.
Nas últimas horas, Alarcón começou a revelar a identidade das pessoas que formarão seu governo, algumas das quais provenientes de partidos e setores tradicionalmente opostos ao programa de reformas de livre mercado. Esta atitude colabora ainda mais para aumentar as incertezas sobre a política econômica que será adotada no país.
O novo ministro das Finanças, Carlos Dávalos Rodas, por exemplo, havia participado de governos de centro-esquerda e foi assessor econômico do ex-presidente Rodrigo Borja, que suspendeu os pagamentos de juros da dívida externa equatoriana. Embora venha demonstrando cautela em suas declarações, Rodas já deu a entender que o plano de convertibilidade, que o governo Bucaram pretendia executar em julho, poderá ser descartado.
Ontem, o embaixador dos Estados Unidos em Quito, Leslie Alexander, afirmou que o governo de Washington reconhece Fabián Alarcón como presidente e representante do Equador. Nós não mantemos relações com pessoas e sim com países, afirmou Alexander.


