O destituído presidente do Equador, Abdalá Bucaram, em seu segundo dia de visita à Argentina, continuou ontem sua campanha para tentar recuperar o poder em seu país e disse que em breve voltará ao palácio presidencial. Bucaram insistiu que foi deposto por um ‘‘golpe militarista disfarçado de civil’’.
‘‘O presidente americano, Bill Clinton, toca o saxofone, o argentino Carlos Menem ama o futebol, mas nenhum deles foi deposto por ‘incapacidade mental’’’, declarou Bucaram, em uma entrevista coletiva. ‘‘Minha conduta em público é a mesma que na vida privada, por isso dizem que sou louco’’, desabafou. ‘‘Lembrem-se que quando canto, consigo US$ 1 milhão para os pobres... é um trabalho social.’’ Seus adversários no Congresso equatoriano acusam-no de agravar a crise econômica do país e de manchar a honra nacional.
Alarcón Em Quito, o presidente Fabián Alarcón cumpriu ontem uma apertada agenda de negociações, reunindo-se com líderes dos diferentes setores e partidos que o levaram ao poder, na busca de uma fórmula que lhe permita governar.
Mas em meio a tentativa de costurar uma frente de apoio ao seu governo, o novo presidente, que tomou posse seguindo a destituição de Abdalá Bucaram pelo Congresso, já adiantou que ‘‘as coisas não estão para abrir demasiadas concessões’’, diante do que qualificou como um caótico estado das finanças públicas.
‘‘A situação em que recebemos o país (...) é realmente catastrófica. Estamos próximos de um colapso, especialmente nos campos econômico e social’’, declarou o presidente em uma entrevista coletiva à imprensa.
O primeiro ato de Alarcón depois de assumir a presidência foi anular várias das medidas econômicas impopulares que culminaram com a queda de Bucaram. Entre estas medidas, que inclui a incerta convertibilidade da moeda, foram excluídos os aumentos superiores a 200% nas tarifas de eletricidade e no preço do gás.
Nas últimas horas, Alarcón começou a revelar a identidade das pessoas que formarão seu governo, algumas das quais provenientes de partidos e setores tradicionalmente opostos ao programa de reformas de livre mercado. Esta atitude colabora ainda mais para aumentar as incertezas sobre a política econômica que será adotada no país.
O novo ministro das Finanças, Carlos Dávalos Rodas, por exemplo, havia participado de governos de centro-esquerda e foi assessor econômico do ex-presidente Rodrigo Borja, que suspendeu os pagamentos de juros da dívida externa equatoriana. Embora venha demonstrando cautela em suas declarações, Rodas já deu a entender que o plano de convertibilidade, que o governo Bucaram pretendia executar em julho, poderá ser descartado.
Ontem, o embaixador dos Estados Unidos em Quito, Leslie Alexander, afirmou que o governo de Washington reconhece Fabián Alarcón como presidente e representante do Equador. ‘‘Nós não mantemos relações com pessoas e sim com países’’, afirmou Alexander.

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