Bucaram deixa Quito mas não desiste
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domingo, 09 de fevereiro de 1997
Rodrigo Jácome, da France Presse. de Quito 
France PresseEuforiaA mulher fazendo um panelaço nas proximidades do Palácio do Governo, em Quito, retrata a satisfação de parte da população com a queda do presidente Abdalá Bucaram. Mas nem tudo é pacífico na capital equatoriana. Choques entre policiais e manifestantes resultaram na morte de um jovem e em mais de 50 feridosO presidente equatoriano Abdalá Bucaram, destituido pelo Congreso, quinta-feira, seguiu para Guaiaquil, ontem, presionado pelos militares para que entregue o poder.
Bucaram abandonou o palácio do Governo, em Quito, depois de recebir a visita do chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas, general Paco Moncayo, junto com a vice-presidente Rosalía Arteaga, que se autoproclamou presidenta da República.
No se informou sobre o motivo da visita de Moncayo, mas houve insistentes rumores segundo os quais os militares pretendiam apoiar a posse da vice-presidente, convocando uma consulta popular para obter uma decisão do povo sobre o futuro do país.
Entretanto, ao chegar a Guaiaquil, onde foi recebido por centenas de simpatizantes, Bucaram disse que é o único presidente e que continuará despachando desta cidade portuária, sua base eleitoral.
Abdalá Bucaram sustentou que ele representa a democracia e que qualquer outra saída para a crise será um golpe de Estado, contrário à democracia. Bucaram recuperou sua característica euforia, ao sentir o apoio de seus simpatizantes em sua chegada, na noite de sexta-feira, à pista da base aérea de Guayaquil.
incidentes e morte Já Fabián Alarcón, designado pelo Congreso presidente interino da República, foi impedido pela polícia em sua tentativa de tomar o palácio do Governo em companhia de milhares de partidários.
Um jovem morreu nos choques quando a polícia dissolvia a aglomeração na praça central de San Francisco, em Quito, perto do palácio presidencial, informaram dirigentes políticos que apóiam o presidente eleito pelo Congresso, Fabián Alarcón. Momentos depois de Alarcón discursar ante 8 mil de seus adeptos, pedindo a eles que marchassem até o vizinho palácio do governo para tomá-lo de assalto, a polícia invadiu a praça e, com bombas de gás lacrimogêneo, dissolveu a manifestação.
Na madrugada de ontem, o general Moncayo, en nome da cúpula militar e policial, pediu aos três presidentes que se reunan para adotar una decisão que os militares se compromem a respeitar. Só a vice-presidente Arteaga aceitou o chamado ao diálogo.
Os tres presidentes, para mostrar que estão no comando, emitiram decretos.
Bucaram decretou o estado de emergência, mas os militares não acataram sua decisão: Alarcón convocou os deputados para um período extraordinário de sessões.
Advertência O Departamento de Estado norte-americano advertiu ontem os cidadãos norte-americanos no Equador para que tenham cuidado em seus deslocamentos pelo país. Continua havendo demostrações localizadas por parte de partidos políticos, além de esporádicos incidentes violentos, destacou o departamento de Estado em um comunicado. A advertência indicou que os ciudadãos norte-americanos devem evitar circular pela parte colonial de Quito, especialmente ao redor do Palácio Presidencial, bem como em Guaiaquil, onde se encontra o presidente Abdalá Bucaram, deposto pelo Congresso.


