São Paulo- Provável substituto do premiê britânico, Tony Blair, o ministro das finanças, Gordon Brown, estuda criar uma Constituição escrita para o Reino Unido, informou ontem o jornal britânico The Guardian. Brown lançou oficialmente ontem uma campanha para suceder Blair, de quem obteve o apoio ao lado de grandes nomes do Partido Trabalhista.
O atual premiê anunciou na última quinta-feira que renunciará ao cargo no final de junho. Apesar de ter o apoio de Blair, Gordon Brown fez questão de apresentar sua candidatura como uma ruptura com o estilo de política que o Reino Unido assistiu com o atual premiê nos últimos dez anos. De acordo com o Guardian, Brown pretende ''restaurar a confiança do público na política'' e propôs uma convenção de todos os partidos para criar as bases de uma Constituição escrita no país.
O movimento histórico de Brown pretende detalhar certos valores e direitos em um texto constitucional único. A convenção dos partidos também deverá estudar novos poderes para o Parlamento britânico e reequilibrar o poder entre o governo central e os locais, de forma semelhante ao sistema adotado na Constituição americana de 1787 - que tem um papel central na lei e na cultura dos Estados Unidos.
Atualmente, o que é considerado uma Constituição no Reino Unido é apenas parcialmente escrita e é flexível. Tem como fontes básicas a legislação parlamentar e da União Européia, além da Convenção Européia de Direitos Humanos e as decisões de cortes de Justiça. Muitos assuntos não são regidos por leis formais, como a própria renúncia de um governo. Estes seguem precedentes (simples convenções) que são passíveis de modificações.
Segundo a enciclopédia Britannica, até mesmo trabalhos de autoridades, como o texto de Arbert Venn Dicey ''Palestras de introdução ao Estudo da Lei da Constituição'', de 1885, são considerados parte da Constituição no Reino Unido.
O The Guardian sugeriu ontem que as manifestações de apoio dos trabalhistas foram uma tentativa coordenada de unir o partido. Especula-se que Brown, cuja residência fica ao lado de Downing Street, aguardava com impaciência a renúncia de Blair. Críticos dizem que a rivalidade entre ambos atrapalhava o governo.
No discurso em que lançou sua candidatura, Brown afirmou que seu governo seria um servo do Estado e ouviria os eleitores, sem medo de admitir erros e de mudar.
''Não acredito que a política seja sobre celebridades'', disse o ministro hoje. ''Nunca acreditei que as aparências podem substituir as políticas. Esta é a visão do século 21: o cidadão no controle, sendo servido, não mandado, pelo Estado'', completou.
As promessas de mudança tocam num ponto delicado para a opinião pública britânica: a guerra no Iraque. Em discurso, o ministro disse ontem que seu governo irá ''honrar os compromissos'' do Reino Unido com o Iraque, mas admitiu que 'erros foram cometidos' na condução do conflito.

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