Broto de feijão volta a ser culpado por surto europeu
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sexta-feira, 10 de junho de 2011
Folhapress 
Alemanha - Após três semanas de idas e vindas, autoridades alemãs anunciaram ontem que testes apontaram brotos de feijão como fonte do surto infeccioso de Escherichia coli (E.coli) que matou 30 pessoas na Europa.
''Foi possível ligar epidemiologicamente a causa do surto ao consumo de brotos'', disse Reinhard Burger, chefe do Instituto Roberto Koch, órgão responsável pelo controle de doenças no país. ''São os brotos.''
Com isso, o alerta contra a ingestão de pepinos, tomates e salada crus foi levantado. A recomendação vale ontem apenas para sementes geminadas, uma vez que não é possível saber se ainda há produtos contaminados.
Os testes comprobatórios foram realizados numa amostra coletada numa caixa aberta de brotos encontrada na lata de lixo de uma família em que dois dos três membros ficaram doentes, nas proximidades de Bonn. Eles haviam ingerido os brotos em meados de maio.
A caixa teve sua origem rastreada até uma fazenda de produtos orgânicos no Estado da Baixa Saxônia (norte) cuja produção de sementes já havia estado sob suspeita. A fazenda também aparecia como fornecedora de 26 restaurantes e cafés cujos clientes adoeceram.
''Os investigadores estudaram os menus, os ingredientes, checaram as faturas e tiraram fotos das refeições'', afirmou Andreas Hensel, chefe do Instituto Federal de Avaliação de Riscos, explicando o trabalho de detetive por trás da descoberta.
Resíduo de incerteza
Porém, o fato de que os testes foram feitos em uma caixa aberta dos vegetais e de que exames com amostras retiradas da própria fazenda deram negativo fez com que o país reagisse com certo ceticismo à notícia. O próprio ministro da Proteção ao Consumidor, John Remmel, disse que há ''um resíduo de incerteza''.
A Alemanha foi duramente criticada pela UE por ter soltado alertas considerados ''precipitados'' sobre a origem da doença.
Ontem, mais uma vez, o governo alemão se defendeu. ''O alerta foi correto'', disse o ministro da Saúde, Daniel Bahr. ''Sem ele, não teríamos chegado à fonte.'' Para os médicos, a descoberta da fonte do surto era essencial, uma vez que se tratava de uma variedade inédita e supertóxica da E.coli.
Das 30 mortes, 29 ocorreram na Alemanha. Mais de 3 mil pessoas em 12 países foram contaminadas, das quais mais de 700 desenvolveram a chamada Síndrome Hemolítico-Urêmica, que provoca danos renais e neurológicos permanentes.


