A equipe de resgate britânica e seu minissubmarino LR5 chegaram ontem, às 12h30 (hora de Brasília), ao local do naufrágio do submarino russo Kursk, encalhado no fundo do mar de Barents ao longo de Murmansk (norte da Rússia). O minissubmarino aguardava a permissão das autoridades russas para proceder o resgate.
A missão dos socorristas britânicos prosseguiria normalmente, apesar das declarações do chefe de Estado Maior da Frota russa do norte, segundo quem a maior parte dos 118 marinheiros do Kursk teria morrido.
‘‘Enquanto não tivermos provas absolutamente irrefutáveis mostrando que não adianda continuar, a missão prosseguirá normalmente como está acontecendo agora’’, disse um porta-voz militar.
Se a missão for mantida, a equipe de resgate faria descer ao fundo do mar um pequeno aparelho telecomandado, o ROV Scorpio, para verificar o estado do submarino, afastar eventuais empecilhos ao acesso, filmar o Kursk e definir a estratégia de salvamento.
Depois de as imagens serem vistas e analisadas, o LR5 poderia então mergulhar, acrescentou o porta-voz, estimando que a missão de resgate poderia começar no final da tarde, hora local.
O chefe do Estado-Maior da Frota russa do Norte Mikhail Mostak deu a entender ontem que provavelmente não há sobreviventes entre os tripulantes do submarino ‘‘Kursk’’. Ele confirmou ontem que o submarino ‘‘Kursk’’ naufragou devido a duas explosões sucessivas, estimando que se tratava de uma hipótese de ‘‘80 a 90%’’ correta para explicar o acidente. Ele declarou que o Kursk poderia ter se chocado com um submarino britânico.
‘‘É muito possível que a causa primeira da catástrofe tenha sido um violento choque dinâmico’’, causado ‘‘seja pela colisão com um objeto, por uma explosão no interior de um compartimento ou por uma mina da Segunda Guerra Mundial’’.
‘‘O choque provocou a perda da vedação de um compartimento e um vazamento importante de água’’, disse o representante da Frota.
‘‘Estimo que a força da primeira explosão não ultrapassa o equivalente a 100 quilos de TNT. O submarino não carrega nenhum dispositivo explosivo de tão pouca potência’’.
‘‘Depois da entrada da água e da inundação rápida do primeiro e segundo compartimentos, o submarino perdeu sua estabilidade e foi ao fundo muito rapidamente, inclinando-se sobre um costado’’, continuou Mostak.
O naufrágio, assegurou o vice-almirante, ‘‘pode ter provocado a explosão dos torpedos que se encontravam no tubo de lançamentos’’.
Esta hipótese coincide com a monitoração dos sismógrafos noruegueses, que confirmaram que no sábado, dia 12, na hora do acidente, duas explosões aconteceram no ‘‘Kursk’’, com dois minutos de intervalo.
O vice-almirante afirmou que boa parte dos 118 tripulantes do submarino, que se encontravam na proa da embarcação, devem ter morrido no ato da explosão. Segundo Motsak, todos os marinheiros que se encontravam na proa ‘‘provavelmente morreram imediatamente’’.
‘‘Os tripulantes que se encontravam na popa (depois do acidente) batiam no casco para informar que as paredes já não eram herméticas, que entrava água e que pediam oxigênio’’.

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