A Grã-Bretanha se converteu, nos últimos dois meses de conflito em Kosovo, no mais intransigente dos países da Otan, uma postura guerreira que conta com o apoio da opinião pública, mas tende a isolá-la do resto dos membros da Aliança.
Desde o início dos ataques, o primeiro-ministro Tony Blair, com a experiência da operação ‘‘Raposa do Deserto’’, no Iraque, adotou, sem qualquer complexo, o comportamento da ‘‘dama de ferro’’, Margaret Thatcher, assumindo com entusiasmo o apelido de ‘‘Falcão’’ na coalizão militar.
Até o momento, Londres utiliza nos Bálcãs o maior contingente de soldados da Aliança - 5.821 homens - e participa com cerca de 40 caças, nos ataques aéreos contra a Iugoslávia.
Segundo uma pesquisa divulgada esta semana, 65% dos britânicos aprovam a operação Força Aliada, o que permite ao governo ignorar as crescentes críticas da oposição conservadora, sobre a maneira de conduzir a guerra. 58% da população apoiaria a participação de soldados britânicos numa possível intervenção terrestre.
Por causa das pesquisas, os trabalhistas insistem na tese do envio da infantaria a Kosovo, mas encontram a categórica oposição da Alemanha e da Itália. O entusiasmo de Londres sobre o envio de tropas terrestres já teria, inclusive, causado inquietação ao presidente Bill Clinton.
Segundo a imprensa britânica, o presidente dos EUA falou por telefone esta semana durante hora e meia com seu ‘‘amigo’’ Tony Blair, para expressar inquietude diante da impressão de divisão que está sendo criada, pedindo a ele que controle seus correligionários para não prejudicar as negociações.

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