Munições com ponta de urânio foram utilizadas em dois campos britânicos de treino de tiro por mais de 10 anos, reconheceu o Ministério de Defesa da Grã-Bretanha em meio à polêmica sobre a utilização, em Kosovo, de balas contendo urânio empobrecido por parte de tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
De acordo com o ministério britânico, as munições de urânio empobrecido, disparadas nos campos de treinamento no norte da Inglaterra e na Escócia desde 1990, não apresentam riscos significantes à saúde.
Mas em meio às crescentes preocupações de que o uso de armas perfuradoras de blindagem pela Otan nos Bálcãs teria contaminado o solo e possivelmente causado problemas à sa© úde dos próprios soldados da aliança atlântica, um influente parlamentar pediu o início de uma investigação.
‘‘Se está demonstrado que o urânio empobrecido causa um aumento nos casos de câncer, então temos de procurar por sistemas alternativos de armas e ver quais precauções são necessárias para proteger nossos soldados, assim como saber de qual forma poderíamos limpar as áreas onde as balas foram utilizadas’’, disse Bruce George, presidente da Comissão de Defesa da Câmara dos Comuns.
Em Berlim, o Ministério da Defesa da Alemanha confirmou ontem que a Otan alertara, em junho de 1999, sobre os possíveis perigos pelo uso de munições contendo urânio empobrecido nos Bálcãs e também pediu que as medidas de precaução necessárias sejam tomadas.
O jornal Berliner Morgenpost, em um artigo publicado hoje, informa ter obtido um documento do ministério datado de 16 de julho de 1999, segundo o qual a Otan lançou um alerta no início daquele mês a soldados e equipes assistenciais sobre a ‘‘possível ameaça tóxica’’ e os advertiu para que adotassem ‘‘medidas preventivas’’.
Apesar disso, de acordo com o jornal, o documento observa que a Otan não planejou adotar nenhuma outra medida.

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