Brasileiros se dizem 'constrangidos' em Davos
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2006
João Caminoto<br> Agência Estado 
Davos - O Fórum Econômico Mundial começou ontem em Davos, na Suíça, com as atenções voltadas para os mercados emergentes, sobretudo Índia e China. Um clima de constrangimento dominou a pequena delegação de brasileiros não ligados ao governo que participa do Fórum Econômico Mundial de Davos.
Enquanto os brasileiros testemunham o enorme interesse despertado pela China e Índia, consideradas as potências emergentes da economia mundial, eles constatam também que o Brasil e a América Latina foram relegados a um terceiro plano na agenda do evento, que congrega anualmente milhares de autoridades, líderes empresariais, banqueiros e acadêmicos nos Alpes suíços.
O desânimo é tão grande que até mesmo o badalado conceito dos Brics, elaborado pela banco Goldman Sachs para descrever a crescente relevância dos emergentes Brasil, Rússia, Índia e China na economia mundial, está sendo alvo de ironias. ''Do jeito que a coisa vai, daqui a pouco o Brics vai virar Rics'', ironizou um dos participantes brasileiros.
Trata-se de um clima muito diferente do visto no início de 2003, quando o recém eleito presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado de uma enorme delegação, foi uma das principais atrações em Davos. Na época, Lula sinalizou para uma platéia de centenas de pessoas novos rumos para o Brasil e América Latina. No ano passado, embora não tenha recebido a mesma atenção, a passagem do chefe de Estado brasileiro pelo fórum ainda havia foi marcada por uma expectativa positiva. ''Ainda bem que Lula cancelou a sua participação neste ano pois ele ia falar o quê aqui?'', disse um empresário brasileiro. ''Nos últimos meses o governo Lula foi assolado por um vergonhoso escândalo de corrupção e, apesar da economia estável, crescendo um pouco, estamos cada vez mais distantes da China e Índia.''
O Fórum Econômico Mundial reúne 2.340 participantes de 89 países, incluindo 15 chefes de Estado ou governo, 60 ministros de Estado, 23 líderes religiosos, 13 líderes sindicais e mais de 30 chefes de organizações não-governamentais.


