Brasileiros se despedem de Jean com rosas nas mãos
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sexta-feira, 29 de julho de 2005
France Presse 
Gonzaga - Milhares de rosas vermelhas foram levadas em sinal de luto pela multidão que acompanhou ontem o enterro do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto por engano pela polícia londrina há uma semana, confundindo-o com um terrorista.
O jovem eletricista de 27 anos foi enterrado no humilde cemitério municipal de sua cidade-natal, Gonzaga, no interior de Minas Gerais, em meio aos aplausos e lágrimas de pelo menos três mil pessoas, que acompanharam a procissão carregando rosas vermelhas. ''Toda Gonzaga está aqui'', resumiu um dos moradores da pequena cidade, que tem cerca de seis mil habitantes e onde a morte de Jean Charles de Menezes provocou grande mobilização.
Jean foi morto ao receber oito tiros, sete na cabeça e um no ombro, na sexta-feira passada numa estação de metrô no sul de Londres, depois de policiais o terem confundido com um terrorista. ''É muito triste'', disse o fotógrafo José Gomes da Silva, primo de Jean, que estava no cemitério. ''Não quero tirar fotos dele desta vez, quero recordar como ele era'', disse Gomes.
Os pais do jovem, Maria Otoni e Matoshinos Otoni da Silva, receberam das autoridades a bandeira do Brasil, a mesma que envolveu o caixão de Jean Charles durante todo o velório, realizado na Igreja Matriz, a única da cidade.
O velório começou na tarde de quinta-feira, poucas horas depois da chegada do corpo, tendo recebido a vesita de mais de 10 mil pessoas, segundo estimativas da polícia e do prefeito de Gonzaga, Julio Maria de Souza. Pessoas de outras localidades rurais e cidades vizinhas também estiveram presentes no funeral.
O caso do brasileiro morto ''por erro'', como admitiram as autoridades britânicas, deu uma guinada na última quinta-feira, quando o Ministério do Interior informou que Jean Charles de Menezes tinha o visto expirado e uma permissão de permanência falsificada. ''Se estava (em situação) irregular ou não, isso não diminui de forma alguma a responsabilidade do governo britânico'', disse o embaixador Manoel Gomes Pereira, representante do Itamaraty e diretor das Comunidades Brasileiras no exterior.
A teoria do visto expirado ''é uma grande mentira'' das autoridades britânicas, disse, por sua vez, o prefeito Souza. Os familiares de Jean Charles não fizeram comentários a respeito.


