São Paulo - Dois carros, um com portugueses e outro com brasileiros, foram apedrejados ontem no centro de Dili, capital do Timor Leste, em uma região onde manifestantes contrários ao governo instalaram barreiras para tentar controlar a passagem. Ninguém ficou ferido.
Um dos portugueses envolvidos disse que o incidente ocorreu à noite (o Timor Leste está 12 horas à frente do horário brasileiro), na rua onde fica a sede do banco português Caixa Geral de Depósitos. ''Deparamos com uma barreira e, como não podíamos passar, viramos à direita. Fomos logo apedrejados por algumas pessoas que estavam na barreira e que usavam um documento de identificação no peito'', disse.
A mesma fonte, que pediu para não ser identificada por razões de segurança, disse que três pessoas estavam no carro identificado com a palavra ''Portugal'' e que os vidros foram quebrados.
Uma fonte da Embaixada do Brasil disse que dois cidadãos brasileiros também foram apedrejados em uma situação parecida, nas imediações do Parlamento, no centro da capital timorense.
A tensão aumentou ontem em Dili, um dia após a renúncia do primeiro-ministro Mari Alkatiri. As forças de segurança internacionais foram chamadas para intervir em vários incidentes em Dili. A GNR (Guarda Nacional Republicana, polícia militarizada de Portugal), que atua no Timor com 120 agentes, deteve dez pessoas por tentativa de assalto a residências e apedrejamento.
Além disso, diversas casas foram incendiadas em Dili. ''Temos informações de incidentes em várias zonas da cidade, mas na área que é controlada por nós, em Comoro, foi registrado o incêndio em uma casa e já não há problemas'', disse o capitão Gonçalo Carvalho.
Moradores indicaram que foram queimadas casas também nos bairros de Pité e Hudi Laran. Um militante da Frente Revolucionária do Timor (Fretilin), partido do primeiro-ministro demissionário, disse que algumas das casas pertencem a membros do Comitê Central e a deputados do partido.

mockup