Agência Estado
De Brasília
Os cinco brasileiros que ainda encontravam-se em Dili deixaram o Timor Leste na noite desta quarta-feira, sob proteção. Os brasileiros, oficiais de ligação e observadores policiais, foram para a Austrália, onde serão abrigados na base da Unamet.
Na segunda-feira, o presidente Fernando Henrique Cardoso enviou uma carta ao presidente da Indonésia, B.J. Habibie, o encorajando a garantir o cumprimento dos acordos de Nova York, assinados em maio, em que o governo indonésio prometeu que respeitaria o resultado da consulta popular realizada na semana passada, que deu vitória à independência de Timor Leste.
Ontem, o Itamaraty divulgou nota afirmando que o Brasil tem participado ativamente das consultas internacionais destinadas a encontrar soluções para a crise no Timor, realizadas no âmbito do Conselho de Segurança da ONU e da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Segundo a nota, o presidente Fernando Henrique Cardoso tem se comunicado por telefone com líderes internacionais sobre a crise no Timor.
O Palácio do Planalto também divulgou nota de Fernando Henrique, onde acentua a posição do governo brasileiro, diante dos organismos internacionais. ‘‘O Brasil está empenhado, inclusive no âmbito do Conselho de segurança, em promover ações que assegurem a pronta restauração de um clima de segurança em Timor Leste e o estrito respeito aos resultados da consulta popular’’, diz o comunicado.
O primeiro-ministro da República de Guiné Bissau, Francisco José Fadul, reuniu-se ontem com o vice-presidente, Marco Maciel, para pedir ajuda humanitária para o país, que acaba de sair de um conflito interno que durou cerca de um ano.
O governo brasileiro deverá enviar técnicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para ajudar nas eleições gerais, marcadas para o dia 28 de novembro, além de técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
O Brasil já havia doado as urnas das eleições de 1994, em que o ex-presidente Nino Vieira havia saído vitorioso, e deverá repetir o gesto este ano. Hoje, Fadul será recebido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.
Segundos fontes do Itamaraty, o Brasil e a comunidade internacional têm muitos interesses em que o processo político seja bem conduzido em Guiné-Bissau, país onde há possibilidades de haver petróleo. Entre as conversas do primeiro-ministro africano e o governo brasileiro, foi discutida a possibilidade de negócios com a Petrobrás para a exploração de petróleo na região. Se a democratização do país for bem conduzida, Guiné-Bissau poderá contar com recursos do Banco Mundial e do Banco de Desenvolvimento Africano.

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