Curitiba - O terremoto que atingiu o Chile na madrugada de sábado atrapalhou os planos de muitos brasileiros que estavam ou iriam passar pelo país. O médico Maurício Buschle, de Curitiba, estava em um voo voltando da Austrália no momento do terremoto. A programação incluía uma parada no Aeroporto de Santiago. Como o local sofreu danos com o tremor, o avião foi encaminhado para a Ilha de Páscoa. A região sofria com o risco de tsunami, então eles foram para a capital do país. ''Ele disse que o Aeroporto de Santiago estava vazio. As malas foram retiradas do avião e deixadas na própria pista'', disse a mulher de Maurício, a médica Angela Buschle, que está em Curitiba.
Na madrugada de domingo, o médico enfrentou um novo tremor de terras. ''Eles estavam no hotel e tiveram que sair correndo para a rua'', conta Angela, ainda um pouco assustada. Na noite de domingo ele e os demais brasileiros que estavam no voo foram deslocados para a Argentina de van. Até o final da tarde de ontem a previsão era de que o médico chegasse à noite em Curitiba.
A mulher de Maurício enfrentou dificuldades para contatá-lo, uma vez que os telefones não funcionavam. Uma pessoa que estava no mesmo voo estabeleceu contato e só assim Angela ficou mais tranquila. ''Ele está bem. Contou que as cidades estão bem danificadas. As pessoas estão em busca de comida e existem muitas filas nos mercados''.
A jornalista Susan Rocha, que vive em Curitiba, passou uma semana de férias em Santiago. Ela foi visitar o namorado e voltou uma semana antes do terremoto. Aproximadamente quatro horas após o tremor, uma amiga ligou avisando da tragédia. ''Meu coração veio na boca e minhas pernas travaram. Tentei ligar para ele (namorado), mas os três celulares não funcionavam. Só conseguimos nos falar 12 horas depois'', contou.
O namorado dela mora afastado do Centro de Santiago, região da cidade onde os estragos foram maiores. Na casa onde vive apenas um pedaço do muro caiu, além de produtos que estavam em prateleiras no banheiro. Na casa da mãe dele, duas televisões foram ao chão. A luz, que havia sido cortada, chegou a voltar, mas houve mais um corte de energia. As casas ainda estão sem abastecimento de água.
O trauma da família é grande. Há 50 anos eles perderam a casa em outro terremoto que atingiu o país. Na época moravam na cidade de Talca, a aproximadamente 250 quilômetros da capital. No episódio deste ano, a região também foi bastante afetada, pois fica próximo do epicentro do tremor.
Nesta última visita de Susan ao país ela e o namorado chegaram a conversar sobre um possível terremoto na região. ''Ele disse que os moradores esperavam que um dia pudesse acontecer um terremoto pior do que o registrado na década de 1960. Ele chegou a me passar instruções de como agir se houvesse um tremor. Eu deveria ficar próxima da porta, com a coluna encostada no batente, puxar os braços para a frente e não fazer posição fetal, para proteger o pescoço'', relatou.
Alguns chilenos que vivem no Brasil entraram em contato com o consulado do Chile em Curitiba para buscar mais informações sobre o acidente. ''Das pessoas que nos ligaram, todas conseguiram falar com os familiares que vivem lá. A mãe de um deles vive em Talca e teve a casa toda destruída, mas ela está viva'', revelou a secretária do consulado Mara Itice. Ela acredita que em breve será disponibilizada uma conta bancária para que as pessoas possam colaborar com a reconstrução das áreas atingidas.
O Itamaraty disponibilizou telefones para que as pessoas possam tirar dúvidas e saber de notícias de brasileiros no país. Os números são (61) 3411-8805 e (61) 8197-2285.

mockup