A embaixada do Sri Lanka já recebeu quase 500 toneladas de donativos para as vítimas do maremoto no país. Nesta semana, um avião da Varig levou 57,5 toneladas de alimentos e roupas para o país.
Segundo a assessoria da embaixada do Sri Lanka, existem negociações para que uma companhia marítima leve uma parte do material já na próxima semana. Isto porque o custo do envio das doações por avião é muito elevado. Ainda assim, a embaixada continua a negociar com as companhias aéreas brasileiras novas viagens de entrega do material.
Diante do volume de alimentos e roupas já entregues e que ainda precisam ser embarcados, a embaixada pede à população que priorize doações em dinheiro e em medicamentos.
O piloto da Varig, Nelson Wanderley, que participou da entrega de 57,5 toneladas de donativos aos sobreviventes da tragédia no Sri Lanka, disse ter ficado emocionado com a reação da população.
Depois de enfrentar uma viagem de 36h de vôo até Colombo, capital do Sri Lanka, Wanderley disse ter fôlego para enfrentar uma nova viagem de ajuda aos sobreviventes. A viagem recebeu o apoio do governo brasileiro, que pagou as taxas aeroportuárias, e da Petrobras, que forneceu o combustível.
A tripulação composta por sete pessoas, além de dois engenheiros de vôo, dois mecânicos e um despachante operacional, fez paradas em Cape Town (África do Sul) e Ilhas Seychelles.
''A recepção foi surpreendente. A gente sempre pensa na parte técnica e operacional de um vôo e não dava para esperar que às 4h da manhã houvesse alguém para nos receber. O aeroporto estava cheio de autoridades, representantes do Brasil no Sri Lanka e em outras localidades, como Nova Déli, e de repórteres da imprensa local'', disse o piloto.
A tripulação permaneceu no país durante 20h, o que chegou a ser motivo de negociações. Isto porque a infra-estrutura do aeroporto é pequena e atualmente chegam de 15 a 20 aviões de carga por dia com donativos das mais diversas partes do planeta. Quanto mais ágil são feitos o desembarque e a partida, melhor.
Segundo o piloto, o recebimento das doações ainda se mostra mais organizado que a distribuição. ''Os donativos são levados para hangares, que contam com muitos voluntários, mas este ainda é o aspecto mais difícil'', disse.
Durante um passeio pela região, os pilotos, que usavam camisas do Brasil, foram saudados com cumprimentos da população, como ''Brasil? Futebol! Ronaldo!''. Os pilotos também foram saudados pela população com gestos de agradecimento pelas doações.
Em 23 anos de trabalho, o piloto nunca havia participado de uma viagem de ajuda humanitária internacional. ''Isto é algo que a gente faz com o maior orgulho, poder ajudar é um prazer. Só nessa localidade foram 40 mil mortos e 350 mil desabrigados. É uma catástrofe sem proporções, um negócio inédito que ninguém esperava'', disse.
A embaixada do Sri Lanka negocia com empresas aéreas e companhias marítimas o envio de mais donativos para o país.

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