Quatro médicos brasileiros vão coordenar toda a campanha de multivacinação do Timor Leste, a ex-colônia portuguesa que foi invadida pela Indonésia em 1975 e agora resgata sua autonomia. A campanha de vacinação no Timor Leste, que fica a noroeste da Austrália, será baseada na tecnologia que o Brasil adquiriu nos últimos anos, conseguindo erradicar doenças como poliomielite.
Cerca de 600 mil pessoas deverão ser imunizadas em outubro contra poliomielite, sarampo e coqueluche, entre outras doenças que podem ser prevenidas com vacina. A missão brasileira embarca no dia 29 para o Timor Leste e deverá permanecer lá até 15 de setembro. As vacinas que serão usadas na campanha foram doadas pelo Fundo Mundial para a Infância e Adolescência (Unicef).
O auxílio brasileiro foi solicitado pelo governo provisório do Timor. Esta é a segunda ajuda do Brasil ao Timor este ano, na área de saúde. O País também enviou tropas do Exército para compor a força de paz que atua para reorganizar a nação.
A primeira missão de médicos ao Timor ocorreu em julho. Na ocasião, eles identificaram a necessidade de vacinação em massa da população local, explicou a médica Islene Carvalho, do Ministério da Saúde, que integrou a equipe.
O presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Mauro Ricardo Costa, disse que o Brasil foi escolhido pelo Governo Transitório das Nações Unidas (Unteaet) no Timor ‘‘pela capacidade de mobilização social demonstrada nas campanhas nacionais de vacinação, feitas todos os anos em duas etapas’’. Além de coordenar a vacinação, a equipe treinará pessoal para reestruturar o sistema de saúde e implantar, até o fim de 2001, um programa de saúde da família nos moldes do brasileiro.
A missão ao Timor Leste custará em torno de US$ 700 mil. Durante o período que permanecerão em Díli, a capital timorense, os técnicos brasileiros diagnosticarão as doenças que podem ser prevenidas por vacina, as necessidades de logística e comunicação, além de traçarem um programa de imunização em massa.
Hoje, o Timor tem 670 mil habitantes, dos quais cerca de 500 mil estão desalojados e 170 mil em campos de refugiados. Há somente 818 profissionais de saúde. O governo transitório do país, formado por timorenses e representantes da Organização das Nações Unidas (ONU), é comandado pelo brasileiro Sérgio Vieira de Melo.
O analfabetismo atinge 65% da população. A economia timorense, que antes da invasão indonésia baseava-se no café, na pecuária e na extração de mármore, foi praticamente desfeita. Em 1997, o Produto Interno Bruto (PIB) do país era de US$ 343 milhões e a renda per capita, de US$ 200 ao ano.

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