São Paulo - Após ficarem retidos em Santiago desde sábado, quando um tremor de 8,8 graus atingiu o Chile, matando ao menos 779 pessoas, brasileiros expressavam alívio por ter conseguido voltar ao Brasil na manhã de ontem, no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP).
Marina Matalon estava em Auckland, na Nova Zelândia, e retornava ao Brasil em um voo da Lan com escala em Santiago. Ao chegar à capital chilena, foi informada do tremor. ''O avião acabou pousando na ilha de Páscoa e ficou lá por duas horas, onde foi reabastecido. Em seguida, voltamos a Santiago'', conta a brasileira, que ficou em hotel pago pela companhia.
Do hotel, ela chegou a sentiu algumas réplicas do terremoto, mas nada de muita intensidade. Marina contou ainda que, com o aeroporto desativado, foi montada uma tenda para organizar o atendimento aos passageiros, mas que havia pouca informação e muita confusão no local. ''Tinha filas enormes, muita gente tentando marcar as passagens'', disse. Embora não tenha andado muito pela cidade, ela chegou a ver alguns prédios destruídos em frente ao hotel. Marina conseguiu deixar Santiago por volta das 4 horas e chegou a Guarulhos às 9 horas de ontem.
A brasileira Renata Aquino de Castro, 25, estava em outro voo da Lan vindo da Austrália e também teve que pousar na ilha de Páscoa. ''É uma delícia voltar para o Brasil, ver os amigos, a família. Estou viva'', comemorava ela no aeroporto. Ela também enfrentou dificuldades para voltar ao Brasil, sentiu várias réplicas e disse estar ''bastante assustada'' com tudo o que presenciou.
O pai de Renata, Antônio Pinto de Castro, quase não continha a emoção ao buscar a filha no aeroporto. ''Agora, realmente estou aliviado. O amor de pai é muito grande. Quando chegar em casa, vou desabar'', disse ele.
Leonardo Verza, 22, é outro brasileiro que também estava na Austrália e conseguiu retornar hoje ao Brasil. Ele conta que sentiu uma réplica ''muito forte'' no domingo de manhã. ''É o caos. Você está dormindo e, de repente, começa a tremer tudo. A primeira coisa que você pensa é em se salvar'', explicou. ''Fiquei muito impressionado, nunca tinha sentido um tremor de terra'', disse ainda o brasileiro.
Diabético, ele viajou com estoque limitado de insulina e estava com receio de ficar sem o medicamento. No entanto, após recorrer ao Consulado Brasileiro, conseguiu mais remédios.
No voo que o trouxe ao Brasil, quatro passageiros tiveram que ceder a poltrona por superlotação. Segundo ele, ninguém queria deixar o avião, mas três pessoas acabaram concordando em sair por US$ 1.600 pagos pela companhia. Um quarto passageiro recebeu US$ 2.200 para ceder o lugar no voo. ''Foi um alívio, e finalmente conseguimos decolar.''

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