Brasileiro será mediador na luta em Guiné-Bissau
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quarta-feira, 17 de junho de 1998
Jair Rattner Agência Estado 
O embaixador brasileiro em Lisboa, Sinésio Sampaio Gois, foi indicado ontem para atuar como mediador da rebelião militar na Guiné-Bissau. A indicação surgiu na reunião do Comitê de Concertação Permanente da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, realizada ontem em Lisboa.
Fui indicado porque o Brasil, por acaso, ocupa a presidência rotativa do comitê, afirmou Sampaio Gois. Além dos embaixadores, a reunião contou com a presença do ministro das Relações Exteriores da Guiné-Bissau, Fernando Delfim da Silva, o que garante que a mediação brasileira já foi aceita por pelo menos um dos lados. Ontem, encontrava-se em Bissau o chanceler da Gâmbia, Mohamed Sedat Jobe, para tentar estabelecer um diálogo entre o governo e os militares amotinados.
Segundo Sampaio Gois, a reunião dos embaixadores da comunidade de língua portuguesa - que reúne Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Guiné-Bissau - definiu três áreas de atuação no país: estabelecer a paz, ajudar a população e resolver o conflito dentro do quadro da comunidade, por meio de esforços diplomáticos.
As últimas informações que o embaixador recebeu sobre o conflito eram de que o governo, apoiado por tropas senegalesas, tinha praticamente desalojado os insurretos de seu principal bastião, o forte de Brá - a 6 quilômetros do centro da cidade. Agora os rebeldes estão concentrados na base aérea, perto do aeroporto. O aeroporto fica a cerca de 10 quilômetros de Bissau.
Segundo o embaixador do Brasil em Bissau, Guy Pinheiro Vasconcelos, ainda se encontram no país mais 30 brasileiros que querem sair. Eles não pegaram os barcos da marinha portuguesa porque não conseguiram chegar ao porto da capital da Guiné-Bissau.
A informação foi passada ontem, a partir de Bissau, no primeiro contato estabelecido entre Vasconcelos e o Itamaraty desde quinta-feira da semana passada. Ele informou que o número de brasileiros refugiados da última operação humanitária portuguesa não chegou aos 70.


