O brasileiro Marco Aurélio Holderbaum entrou ontem com um processo na Corte de Manhattan contra a Prefeitura de Nova York, pedindo US$ 7,5 milhões de indenização por ‘‘danos emocionais causados pela separação da família’’, apenas horas depois de ganhar, na Vara de Família, a custódia dos filhos Natasha, de 9 anos, e Nicholas, de 11. As crianças foram devolvidas depois de 100 dias sob guarda da Prefeitura, enquanto o casal Holderbaum era investigado por denúncias de maus-tratos.
Holderbaum e a mulher, a americana Julien, foram inocentados, mas antes de ganhar a batalha pela custódia passaram por vários abusos. Durante o período de separação as crianças permaneceram num abrigo público do bairro do Bronx.
O caso começou em 25 de fevereiro. Neste dia, Natasha foi à escola Simon Baruch, onde cursa o primário, com um olho roxo. Na versão dos pais, a marca teria sido produto da queda dela do lombo do cachorro Popinho, quando teria batido com o rosto no piano. A professora denunciou o caso à agência municipal de proteção à criança (CAS, sigla em inglês para Children Administration Service), que abriu um inquérito por maus-tratos contra os pais.
O caso escalou com denúncias anônimas de condôminos do edifício onde mora o casal, no centro de Manhattan, interessados em despejá-los porque eles pagam apenas US$ 200 de aluguel, amparados pela antiga lei do inquilinato.
Em 11 de março, depois de uma dessas denúncias, 12 policiais invadiram a casa dos Holderbaum, sem ordem judicial, levando as crianças para um abrigo público. Holderbaum aumentou seus problemas reagindo à ação policial. Ele apanhou da polícia, foi detido e processado, mas acabou pegando pena simbólica de um dia limpando o metrô - a Justiça derrubou as acusações, criticando a polícia por uso excessivo de força.

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