Brasileiro que trabalha na ONU analisa eleições
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terça-feira, 07 de fevereiro de 2006
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
As eleições no Haiti, de acordo com o economista e urbanista brasileiro Alberto Paranhos, de passagem ontem por Curitiba, é apenas o primeiro passo no processo de reinício da democratização do País. Paranhos, que retornou do Haiti no último fim de semana, faz parte da UN-Habitat agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para cidades.
O principal objetivo da agência até agora, segundo ele, foi dar assistência técnica ao governo provisório do Haiti para que pudesse realizar as eleições. ''A questão operacional das eleições foi complicada porque cerca de 3 milhões de títulos de eleitor pendentes tiveram que ser expedidos. Além disso, foi preciso informar as pessoas sobre a importância do voto'', disse.
Grande parte da população retirou o título porque no Haiti o documento também serve como uma espécie de carteira de identidade. ''Algumas pessoas vão usar o título apenas para abrir contas bancárias, coisas assim, já que o voto não é obrigatório''.
Depois da posse dos novos dirigentes, prevista para o dia 29 de março caso as eleições transcorram normalmente hoje, a agência novamente entra em ação para apoiar o processo de construção do congresso e fomentar o desenvolvimento.
A situação do país, de acordo com Paranhos, é mais preocupante na área metropolitana de Porto Príncipe, onde mora cerca de 1/4 da população urbana do país. ''O restante da população tem carências semelhantes às dos países pobres da América Latina. É comum ver navios de luxo no Litoral de outras regiões do país. Turistas europeus compram coisas por lá, ajudam o comércio'', revela.
Paranhos explica que os prefeitos nomeados nas cidades durante o governo provisório atuam normalmente, e que o problema maior de fato está na periferia da capital, ''onde a polícia é insuficiente, a justiça é inoperante e é comum a prática do sequestro, resultado da falta de emprego''.
As eleições municipais devem ocorrer no dia 30 de abril. A ONU atua nos País ''com dois braços'', conforme explicou Paranhos. Um está ligado à ação humanitária, o Minustah, e o outro se relaciona com o desenvolvimento regional, tarefa da agência UN-Habitat.
A sede da UN-Habitat responsável pela América Latina e Caribe fica no Rio de Janeiro (RJ) e possui cinco funcionários internacionais, além de grupos de consultores. Paranhos é carioca, mas já trabalhou 11 anos para a prefeitura de Curitiba, cidade onde ele pretende morar quando se aposentar pela ONU.


