LIMA - O embaixador brasileiro no Peru, Carlos Luis Coutinho Perez, disse, logo depois de ser libertado, no início da noite de sexta-feira, que não pretende participar de nenhuma comissão de negociação entre o governo peruano e os guerrilheiros do movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA). Perez, 61 anos, 35 dos quais na diplomacia, afirmou que está preocupado com as condições precárias dos reféns retidos na casa do embaixador japonês. Ele foi solto às 19h30, hora local, 22h30, hora de Brasília, com um grupo de 38 reféns que estavam na casa desde terça-feira quando um grupo de cerca de 20 integrantes do MRTA tomou a casa desafiando o governo do presidente Alberto Fujimori.
O diplomata brasileiro saiu do local do cativeiro, a elegante mansão no bairro de San Izidro, depois que os negociadores Anthony Vicent, embaixador do Canadá, e Armando Lecaros, diplomata peruano, entregaram uma carta aos líderes da invasão por meio do representante da Cruz Vermelha, Michel Minning. No final da tarde os dois diplomatas leram um lacônico comunicado anunciando que a comissão liberada pelo MRTA quarta-feira dava por concluído seu trabalho. Menos de duas horas depois, os guerrilheiross resolveram soltar outros cinco diplomatas, entre eles o embaixador brasileiro na tentativa de reabrir o diálogo.
Logo ao sair dos muros da casa, com um megafone à mão, Perez disse que o grupo havia sido liberado para tentar conseguir o retorno do abastecimento de água, luz e telefones cortados pelo governo peruano. O embaixador disse ainda que a nova comissão deveria retornar à casa ao meio dia de ontem. Com ele, os terroristas soltaram Samy Ismail, embaixador do Egito, Lee Won Young, embaixador da Coréia do Sul, além do economista peruano Alejandro Toledo e o parlamentar Javier Diez Canseco, membro do partido Esquerda Unidas, de oposição a Fujimori.
Pouco antes da meia-noite de sexta-feira, já em casa no bairro de Monterricos Perez afastou a hipótese de integrar uma nova equipe de contato, ele conversou com o ministro da Relação Exteriores do Brasil, Luiz Felipe Lampréia.
O diplomata negou que o grupo tivesse marcado uma hora para voltar ao local do sequestro e disse que seus planos para sábado eram apenas ‘‘dormir’’.
Fujimori O Presidente do Peru, Alberto Fujimori, disse que seu principal objetivo é garantir a segurança dos cerca de 340 reféns capturados pelo comando do movimento guerrilheiro Tupac Amaru, em uma carta enviada na última quinta-feira a seu colega da Bolívia, Gonzalo Sánchez de Lozada.
‘‘Temos como objetivo principal salvaguardar a saúde e a vida dos que se encontram retidos na residência do embaixador do Japão’’, disse Fujimori na carta. Entre os reféns, está o embaixador boliviano, Jorge Gumucio.
Mediação O parlamentar Javier Diez Canseco, um dos reféns liberados na sexta-feira à noite, afirmou estar disposto a ajudar no que for possível para o encaminhamento das negociações entre os guerrilheiros e o Governo peruano.
Canseco foi o primeiro dos reféns libertados no início da noite de sexta-feira. O parlamentar acredita que se o governo se prontificar a negociar, pode haver um acordo de paz.

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