Brasileiro é condenado à morte na Indonésia
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terça-feira, 08 de junho de 2004
Roberta Pennafort<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - O esportista carioca Marco Archer Cardoso Moreira, 42 anos, foi condenado ontem à morte pelo tribunal de Tangerang, na Indonésia, por tráfico internacional de drogas, e poderá ser executado por fuzilamento. Em agosto do ano passado, ele entrou no país com 13,6 quilos de cocaína.
A notícia está na página do jornal ''The Jakarta Post'' na internet, que diz ainda que a advogada Mona Lubuk já anunciou que vai recorrer da sentença. O Ministério das Relações Exteriores, que está acompanhando o caso através da embaixada brasileira em Jacarta, confirmou a informação. Segundo o órgão, a apelação, até chegar à Corte Suprema da Indonésia, pode durar até dois anos.
O deputado federal Fernando Gabeira (sem partido), que vem mantendo contato com a mãe de Moreira, Carolina Archer, disse ontem que pretende mandar para o parlamento indonésio um pedido de deputados brasileiros para que ele seja perdoado.
Na semana passada, ele já havia conversado com alguns parlamentares daquele país, durante conferência sobre energias renováveis realizada em Bonn, na Alemanha. ''Vou mandar um pedido do Parlamento brasileiro para que seja concedido o perdão a ele.'' Gabeira disse que soube por Carolina que seu filho está sendo bem tratado na prisão, onde divide uma cela com outros estrangeiros.
De acordo com o deputado, as pessoas que são condenadas à morte na Indonésia costumam ficar por muitos anos à espera da execução, o que significa que há tempo para apelação. Segundo o ''Jakarta Post'', Moreira é o 27º traficante sentenciado à morte desde janeiro de 2000. Do total, 22 são estrangeiros a maior parte, africanos. Nenhum deles foi executado, diz ainda o site.
Durante o julgamento, a promotoria pediu a pena máxima por considerar que Moreira é traficante internacional. O fato de ele ter fugido do local do crime (ele correu do saguão do aeroporto ao ser abordado pelos oficiais indonésios e só foi capturado 14 dias depois) foi citado como agravante.
A defesa alegou que ele é réu primário, mas o juiz se decidiu pela pena máxima. ''A atitude do réu vai contra a campanha antidrogas do governo. Ele ameaçou a juventude do país'' afirmou o juiz Suprapto. Ao ouvir o veredito, Moreira abaixou a cabeça, de acordo com o ''Jakarta Post''.
Moreira, instrutor de vôo livre que é conhecido entre os esportistas como Curumim, contou à polícia indonésia que havia recebido US$ 10 mil para levar a cocaína do Peru para Jacarta. Ele escondeu a droga em sacos, que estavam escondidos em seu equipamento de parapente. O esportista foi abordado no aeroporto de Jacarta por policiais que desconfiaram dele, mas conseguiu se desvencilhar do cerco.
A mãe de Moreira viajou no dia 21 de maio para a Indonésia, para acompanhar o fim do julgamento do filho. Segundo Carolina, ele aceitou transportar a droga por desespero, já que precisava pagar uma dívida de US$ 80 mil (cerca de R$ 250 mil) com o Hospital Central de Cingapura, contraída por conta do tratamento de saúde a que se submeteu depois de sofrer um acidente grave, há sete anos.


