Depois de nove meses jurando inocência, o faxineiro brasileiro Gerson Pereira Chaves, de 27 anos, confessou-se ontem culpado do assassinato do português Paul Cunha, crime ocorrido em 16 de fevereiro, em Salem.
A dramática confissão foi feita minutos antes do início do julgamento pelo tribunal do júri, na Corte Superior de Massachusets, encerrando o caso. A sentença final só será conhecida em fevereiro.
Chaves permaneceu na corte apenas oito minutos, tempo necessário para fazer a confissão. De cabeça baixa, respondeu apenas ‘‘sim’’, através de um intérprete, quando o juiz perguntou se ele estava aceitando a admissão de culpa. O acordo fora feito por documento entregue por seu advogado à corte. A sessão foi encerrada e ele devolvido à cadeia de Essex County, onde aguardará a sentença.
O crime ocorreu durante uma briga, por motivos banais, entre membros das comunidades de imigrantes brasileiros e portugueses, todos embriagados, no estacionamento da lanchonete Donkin Donuts, em Salem, cidade histórica próxima a Boston.
Chaves está preso desde então - a Justica fixara fiança no valor de US$ 1 milhão, temendo que ele fugisse.
Policiais estavam preparando o tribunal improvisado quando a confissão ocorreu, no tribunal. A decisão de Chaves de encerrar o caso é um recurso comum na justiça americana - recentemente, o terrorista Unabomber confessou-se culpado, também na última hora, para evitar a pena de morte. Agora, Chaves deve ser sentenciado a 30 anos, mas terá direito a liberdade condicional depois de 20.
Chaves é mineiro de Guanhaes. Ele foi processado como Eremilson Barbosa, nome frio que deu às autoridades na hora da prisõo - para todos os efeitos legais, ficou valendo. Chaves largou os estudos na quinta série do primeiro grau, para ajudar o pai a fazer queijo, numa pequena criação de gado.
Em 1995, entrou nos Estados Unidos como ilegal.

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