Brasileira teria sido assassinada por brincadeira
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segunda-feira, 03 de outubro de 2005
Folhapress 
Washington (EUA) - A brasileira Janaína Reis, de 17 anos, foi assassinada na noite de sábado em Deerfield Beach, na Flórida, por ter feito uma brincadeira com o namorado porto-riquenho Juan Rafael Arrieta-Rolon, 24, quando ele pintava as unhas. Reis teria dito que, no Brasil, aquilo seria visto como coisa de ''veado''. Arrieta-Rolon, então, desferiu um tiro nela.
Janaína deve ser cremada em Pompano Beach, na Flórida. A família ainda não tem a data dos funerais, que só devem acontecer quando a irmã da adolescente, Frederica, 29, que mora no Brasil, obtiver um visto para ir aos Estados Unidos, informou ela ontem.
Para isso, a família nos EUA, que mora em Pompano Beach, entrou em contato com o senador americano Mel Martinez, na tentativa de agilizar a negociação do visto da brasileira. Frederica ainda não sabe quando vai conseguir embarcar para os Estados Unidos. ''Tentei obter visto para os EUA duas vezes, em 2001 e 2003, e não consegui. Meu padrasto (o americano Gary Suggs) tenta agora falar com as autoridades americanas para a liberação de minha viagem'', afirmou Frederica, que atualmente vive em Vitória, no Espírito Santo. Só quero ir lá para poder ficar com a minha família. Nunca quis morar lá''.
Janaína, que trabalhava em uma lanchonete e era modelo, foi assassinada no sábado, pelo namorado porto-riquenho Juan Rafael Arrieta-Rolon, 22, que está preso e confessou o crime. Segundo Veda Coleman-Wright, porta-voz da polícia do Condado de Broward, ele pode pegar até prisão perpétua pela morte da garota.
De acordo com Frederica, tanto Janaína quanto a mãe das duas irmãs, Dagmar Reis, têm ''green card'', que possibilita a permanência legal nos EUA. Ela disse não saber que Janaína namorava Arrieta-Rolon, e desconhece os motivos pelos quais a brasileira pode ter sido morta. ''Todo mundo gostava dela (de Janaína). Além de ser linda, ela era muito meiga'', diz a irmã. A última vez que Frederica viu a irmã foi em 2003, quando Janaína ficou de julho a novembro no país.
A assessoria de imprensa do Itamaraty informou que apenas a representação diplomática dos Estados Unidos no Brasil pode fornecer o visto à brasileira, e que nesse caso, o ministério tem pouco a fazer. De qualquer forma, a família pode procurar a representação consular do Brasil em Miami para pedir ajuda.
Karen Hall, uma americana que é amiga de Dagmar, e que está ajudando a mãe de Janaína, em estado de choque pela morte da filha, informou que a família pediu ajuda ao senador Martinez (republicano) porque funcionários do Condado de Broward, que deveriam ajudar a liberação do visto de Frederica ''nada fizeram''.
Arrieta-Rolon confessou ter matado Janaína. O crime aconteceu em um condomínio fechado de Deerfield Beach, na Flórida. Na noite de sábado, Janaína estava sentada com a amiga Fernanda Gomez, em uma mesa de piquenique perto da piscina e do portão principal do condomínio. Arrieta-Rolon teria chegado perto da garota e simplesmente disparado os tiros. Arrieta-Rolon confessou o crime, mas não explicou os motivos que o levaram a cometer o assassinato.
A polícia recebeu duas ligações no número de emergência, que informavam sobre tiros disparados no local. Quando os policiais chegaram, encontraram o corpo de Janaína, o namorado e a amiga. Nesse primeiro momento, ambos disseram ter ouvido os tiros e ter visto a adolescente ''sangrando''.
Tanto Gomez quanto Arrieta-Rolon disseram não ter visto de onde partiram os tiros. Mas ao chegar na delegacia, a amiga da brasileira, segundo a polícia, se sentiu mais ''segura e livre para falar''. Ela apontou o rapaz como autor do crime, e disse que ele era ''assustador''.
Arrieta-Rolon, segundo o jornal ''Sun Sentinel'', se mudou para a Flórida há seis meses. Ele morou em Water's Edge com um tio e, ocasionalmente, ficou em casa de amigos, em um prédio próximo ao condomínio.


