A arquiteta paulista Maria das Graças Ferreira, de 26 anos, deixou seu apartamento em Nova Belgrado, cidade vizinha à capital, por volta das 10 horas da quinta-feira para assistir de perto à manifestação que reuniu 200 mil pessoas contra Milosevic. ‘‘Os ônibus não estavam funcionando e eu fui a pé. Demorei quase uma hora para chegar ao centro de Belgrado’’, contou ela ontem à Agência Estado.
Há um mês vivendo na Iugoslávia, Maria das Graças vinha acompanhando de perto os protestos desde segunda-feira. Na quinta, resolveu ir para Belgrado acompanhada de três colegas que, como ela, estudam no país. ‘‘Ninguém trabalhava direito desde o primeiro turno das eleições do dia 24.’’ ‘‘Eu vi jovens, gente mais velha e até mulheres grávidas’’, disse. ‘‘Isso me fez lembrar das passeatas contra o Collor.’’
Ao chegar ao centro de Belgrado, já abarrotado de gente, Maria das Graças disse ter ficado amedrontada com a multidão. ‘‘Passei no prédio da embaixada brasileira para que, caso acontecesse alguma coisa, eu pudesse me proteger lá dentro.’’ Durante quase cinco horas ela integrou a massa de manifestantes, que gritavam palavras de ordem, cantavam e acenavam bandeiras. Ela chegou a encontrar outra brasileira que também estuda em Belgrado.
A arquiteta só abandonou o local por volta das 16 horas, com olhos ardendo, por causa das bombas de gás lacrimogêneo que os policiais passaram a lançar para dispersar a multidão.
Maria das Graças está entre os cerca de 40 brasileiros que vivem atualmente na Iugoslávia. Ela faz um estágio em uma empresa de arquitetura em Belgrado e mora em um apartamento estudantil no câmpus de uma universidade. De acordo com o encarregado de negócios da embaixada, Júlio César Ferreira da Silva, os acontecimentos não afetaram os brasileiros.

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