São Paulo - Um ataque suicida ocorrido quinta-feira à noite na Cisjordânia causou a morte de quatro pessoas, entre elas da brasileira Ilana Levy, 59 anos, e de seu marido, o israelense Rafi Levy, 63. A ação terrorista ocorreu por volta das 21h45 (16h45 de Brasília), perto de um posto de gasolina na estrada do assentamento judaico Kedumim, onde a brasileira e seu marido viviam.
As outras duas vítimas são Shaked Lasker, 16, também de Kedumim, e Reut Feldman, 20, do assentamento judaico de Herzliya. Ambos foram enterrados na tarde de ontem. O casal Levy será enterrado no domingo. Em agosto de 2001, o brasileiro Giora (Jorge) Ballaz, 60, e outras 14 pessoas, morreram em um atentado suicida em um restaurante de Jerusalém. A ação foi reivindicada pelo grupo terrorista Hamas.
Consultados pela reportagem, nem o Itamaraty nem a assessoria de imprensa da Embaixada de Israel puderam dar mais detalhes sobre a brasileira. O suicida, que estava vestido como um colono judeu, aparentemente pediu carona às vítimas e detonou os explosivos dentro do veículo, causando, além de sua própria morte, a das outras quatro pessoas.
Até ontem, a polícia não sabia onde exatamente o terrorista conseguiu entrar no carro das vítimas. O suicida seria Mahmoud Masharka, 24. Seu irmão foi preso em Hebron pelo Exército israelense ontem.
O serviço de resgate israelense informou que médicos não podiam se aproximar do veículo porque este ficou em chamas por aproximadamente uma hora após o ataque. A força da explosão lançou vários pedaços do veículo pela região.
Uma testemunha citada pelo jornal israelense ''Haaretz'', Rafaela Segal, moradora de Kedumin, disse ter escutado a explosão de dentro de sua casa, de onde ela podia ver o posto de gasolina. ''Eu vi fumaça saindo do posto de gasolina, o que me levou a pensar que o local havia sido atingido por um incêndio'', disse.
O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, condenou o ataque, mas pediu para que o Ocidente não interrompa sua ajuda para o novo governo palestino, liderado pelo grupo terrorista e partido político Hamas que não reconhece o Estado de Israel e prega sua destruição.
Abbas, que está em viagem pela África do Sul, também acusou Israel de bloquear o processo de paz e de usar a vitória do Hamas nas eleições palestinas como uma desculpa para reiniciar ataques contra palestinos. Abbas disse ainda que ataques terroristas não ajudam a conquistar a paz.
O ministro israelense da Defesa, Shaul Mofaz, culpou o Hamas pelo ataque, embora a ação tenha sido reivindicada por grupos desconhecidos que se disseram ligados ao Fatah (principal grupo político da Organização para a Libertação da Palestina, ligado a Abbas).
Mofaz também ordenou às forças de segurança israelenses que reforcem suas ações contra o terrorismo na Cisjordânia e na faixa de Gaza. O Exército de Israel proibiu ainda a passagem de palestino com idades entre 15 e 32 anos e algumas regiões de Nablus. Eles também estão fazendo um rígida revista e todas as pessoas que passam pelos postos de checagem nessas regiões.

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