São Paulo - Na última quarta-feira, a estudante brasileira Priscila Hatji Nikolau, 20 anos, pensou em sair de Houston (Texas) para fugir do furacão Rita, mas ao chegar a um posto de gasolina para abastecer seu carro, percebeu que tomara a decisão tarde demais: não havia mais combustível, tampouco ônibus oferecidos pela administração pública.
''Todos os postos de gasolina da região costeira do Texas estão fechados. Não há combustível em nenhum lugar'', disse a brasileira, que acabou ficando em Houston e teve de montar um kit de sobrevivência para enfrentar com o namorado, o peruano Juan Sevilla, 23 os vários dias que podem durar as possíveis tempestades.''Comprei muita água, suco de garrafa, latas de atum, salsicha, milho, pães, biscoitos e pilhas para lanterna, caso falte luz'', disse de Houston, por telefone.
Sem experiência nesse tipo de situação, Priscila, que é alagoana, mas mora há oito anos no Texas, afirma estar com medo e disse que teria deixado a região, não fosse a falta de gasolina. ''Ninguém (as autoridades) sabe o que fazer. Há muita confusão em todo lugar.''
A brasileira trabalha em uma financiadora e estuda para ser professora. Ela divide um apartamento no segundo andar de um prédio de três andares com uma amiga, que deixou a cidade antes que o caos tomasse conta da região. Mas Priscila não ficou sozinha, além do namorado, que decidiu fazer companhia a ela, outras pessoas permaneceram no edifício.
Questionada sobre medidas de segurança para evitar danos a seu apartamento, Priscila disse não ter conseguido comprar pedaços de madeira para selar portas e janelas porque já não havia mais esse tipo de produto nas lojas.
A solução, segundo ela, foi passar fita adesiva nas janelas, e colocar comida, lanternas, travesseiros e cobertores no banheiro, o cômodo considerado mais seguro da casa. ''Se o vento for muito forte poderá arrebentar as janelas'', diz.
Ela também disse que se prepara para abrigar, se for necessário, outros moradores de seu prédio, caso enchentes alcancem o primeiro andar ou ventos arranquem o teto da cobertura.
Mesmo em caso de uma catástrofe, a exemplo do ocorrido em Nova Orleans, no último dia 29, Priscila rejeita a possibilidade de ir para um dos abrigos oferecidos pela Prefeitura de Houston. ''São minha última opção'', diz. Segundo ela, pessoas que vão para os abrigos devem levar ''sua própria comida, água e cobertores'', e diz que não há reposição desses itens quando acabam. ''Dá medo de pensar em ter que ir para um abrigo. A melhor solução é ficar em casa'', afirma.

mockup