Brasil terá lista suja do trabalho infantil
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quinta-feira, 12 de junho de 2008
Jamil ChadeAgência Estado 
Genebra- O governo brasileiro terá uma lista com empresas que usam trabalho infantil. O objetivo será o de identificar as companhias e impedi-las de ter acesso a financiamento do BNDES, a isenções fiscais ou de participar de licitações públicas. Ontem, no dia contra o trabalho infantil, a ONU divulgou um estudo alertando que, apesar de o número de crianças trabalhando estar diminuindo, elas chegam a 218 milhões em todo o mundo.
No Brasil, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, defende uma estratégia comum com o Ministério da Educação para garantir que as crianças que sejam retiradas dos locais de trabalho tenham escola. E também cobrou do setor empresarial. O Ministério do Trabalho está preparando um raio X da situação em todo o País como uma primeira etapa do projeto. A fase seguinte será a criação de uma lista contendo empresas que empregam crianças.
Para a Força Sindical da Bahia, existem cerca de 2,7 milhões de crianças nessa situação no País. Lupi afirma ser difícil saber exatamente quantos são. Um dos obstáculos é que parte delas está trabalhando em empresas familiares ou mesmo como empregadas domésticas. Mesmo assim, Lupi acredita que a lista pode dar resultados também na questão do trabalho infantil.
''O modelo é parecido ao da lista suja que existe sobre trabalho forçado. A lista que publicamos com as empresas que cometem esse crime está dando resultado. A empresa que é listada praticamente fecha diante da repercussão'', afirmou Lupi.
Segundo a ONU, a América Latina é a região que sofreu a maior queda de crianças trabalhando. Hoje, apenas 5% das crianças da região estaria trabalhando, contra 26% na África. Em todo o mundo, o número caiu em 11% entre 2000 e 2006.
Mas a entidade alerta que o problema ainda é muito sério. ''Apesar dos progressos em muitos áreas, é inaceitável que muitas crianças ainda trabalhem para sobreviver'', afirmou o diretor da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Juan Somavia.
A entidade destacou que 165 milhões de crianças entre 5 e 14 anos estão nessa situação. No total, 218 milhões de crianças até 18 anos estão no mercado de trabalho.


