O Brasil está preparado para combater qualquer eventual guerra biológica, assegurou ontem o ministro da Saúde, José Serra, depois dos alarmes dos últimos dias no País por um pó branco suspeito de conter antraz ou bacilo. Além de orientar o pessoal dos correios para fazer uma seleção das cartas suspeitas de conter o temível pó branco do antraz e intensificar a limpeza dos aviões, o ministério também criará uma equipe de trabalho encarregada de fazer o censo dos medicamentos que há no País para combater uma possível guerra biológica.
''Estamos preparados para dar uma resposta rápida. Apesar de o Brasil não ser rota desse tipo de ataques, temos muitos casos suspeitos'', disse o ministro em entrevista à imprensa.
O país sofreu há alguns dias sinais de alerta de uma possível contaminação: a do pó aparecido em um avião da companhia alemã Lufthansa, que viajava para o Rio de Janeiro, domingo passado, e resultou em farsa, e a do envelope recebido segunda-feira no consulado dos Estados Unidos, também no Rio.
''Vamos ter muito trabalho. Não tenho dúvidas disso'', reconheceu Serra.
Atualmente, o país tem medicamentos para atender a 7.500 pessoas contaminadas por antraz, segundo o ministro, que assegurou que ''não há motivos para pânico ou para armazenar antibióticos''.
O ministro se reuniu ontem com o titular das Comunicações, João Pimenta da Veiga, para falar sobre as medidas que podem ser adotadas na tentativa de conter uma possível contaminação por antraz.
O ministério vai divulgar uma lista dos hospitais capacitados para tratar de possíveis casos de contaminação com o bacilo, assim como instalar um número de telefones para receber denúncias.
Tanto o Núcleo para Respostas Imediatas em Situação de Emergência, onde trabalham especialistas formados nos Estados Unidos, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estão capacitados para fazer frente a um eventual ataque bacteriológico. O Instituto Biológico do Exército também se encontra à disposição do ministério em caso de emergência, disse o ministro.
O antraz ou doença do bacilo pode ser pega por inalação, contato ou ingestão de produtos contaminados com a bactéria Bacillus antracis que, sob a forma de esporas, se torna muito resistente e pode viver várias décadas em lugares secos e escuros.
VigilânciaA Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), segundo o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, está vistoriando cartas ou encomendas destinadas para o Palácio do Planalto, Congresso, ministérios, embaixadas e organismos internacionais que possam ser alvo do terrorismo estrangeiro. Veiga informou ainda que representantes dos Correios participam hoje, em Genebra, do congresso mundial da União Postal Internacional (UPI) para troca de informações sobre as providências que o setor de correio no mundo está tomando para combater o eventual envio de objetos contendo o antraz.

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