Puerto Maldonado (Peru) - A construção da rodovia Interoceânica, que vai ligar o Atlântico ao Pacífico, foi iniciada ontem na cidade peruana de Puerto Maldonado, em cerimônia oficial com os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Alejandro Toledo (Peru) e Eduardo Rodríguez (Bolívia), que destacaram a importância do projeto para a economia e a integração sul-americana.
Em discurso emocionado, o presidente anfitrião deu sinal verde às autoridades locais para iniciarem a construção da estrada, que terá 1.100 km de seus 2.500 km em território peruano e desembocará nos portos marítimos peruanos de Ilo, Matarani e San Juan.
Com os 1.500 quilômetros da parte brasileira já prontos, os 1.100 quilômetros correspondentes ao lado peruano serão um trajeto duro que parte da cidade fronteiriça brasileira de Assis, no Acre, e de sua cidade gêmea, a peruana IÀapari, atravessando uma selva virgem.
A construção da estrada deve levar de quatro a cinco anos, terá custo de 892 milhões de dólares e empregará cerca de 72 mil peruanos. Em resposta às críticas de superfaturamento da obra no Peru, Toledo lembrou que a estrada trará benefícios para cinco milhões de peruanos e atravessará nove departamentos do sudeste do país.
Além disso, falou que estes 1.100 km serão construídos em solo esponjoso, até alcançar o planalto peruano, em Macusani (700 km ao sudeste de Lima), a mais de quatro mil metros de altitude. O presidente peruano afirmou também à população que o retorno deste investimento será muito alto para a integração sul-americana.
Segundo Toledo, o acesso do Peru a uma economia como a do Brasil, de 110 bilhões de dólares por ano, permitirá o crescimento do PIB peruano em 1,5%, graças a esta estrada.
O presidente Lula, líder da estratégia de integração em diversos setores dos países sul-americanos, destacou a importância deste projeto: ''A estrada interoceânica, por sua importância estratégica, será uma poderosa ferramenta e resgatará as populações historicamente isoladas''.
Para o presidente brasileiro, esta estrada é importante porque, graças a ela, os recursos energéticos da região poderão ser aproveitados: o gás de Camisea (no Peru), de Tarija (na Bolívia) e da Amazônia brasileira, que fornecerão energia a futuras gerações. ''Este é caráter estratégico da obra'', enfatizou.
Lula destacou que a estrada permitirá aos industriais e agricultores peruanos levar mais produtos a seu país, ao mesmo tempo em que os brasileiros poderão ''levar seu trabalho e visão a outros continentes'', referindo-se à saída para o Pacífico que dará acesso aos mercados asiáticos. A estrada não passará pela Bolívia, mas estará muito perto de sua fronteira, o que representa um ganho enorme também para este país que perdeu seu acesso ao mar no século 19.
Na cerimônia de lançamento da pedra fundamental da estrada, o presidente da Bolívia falou que a Interoceânica é a porta de acesso de seu país para o Pacífico e o Atlântico.
''Este projeto permitirá aos bolivianos, seus vizinhos irmãos, fazer parte deste projeto e chegar ao Pacífico e ao Atlântico. Por isso, em nome de meus compatriotas, eu agradeço a vocês'', disse o presidente boliviano, acrescentando que se esforçará para construir um trecho de 70 km de ligação com a Interoceânica.

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