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MUNDO

m de leitura Atualizado em 11/07/2022, 15:01

Brasil perde posição para Nigéria e deve se tornar 7º mais populoso do mundo

O documento ajuda a preencher uma lacuna de dados deixada pela ausência do Censo Demográfico, adiado por dois anos consecutivos

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 11 de julho de 2022

Mayara Paixão, Thiago Amâncio e Tatiana Haradasão - Folhapress
AUTOR autor do artigo

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São Paulo - O Brasil deve abandonar em breve o posto de sexta nação mais populosa do mundo. Com crescimento acelerado, a Nigéria passará o país ainda este ano, desbancando-o para a sétima posição, de acordo com projeções de relatório da ONU (Organização das Nações Unidas), publicado nesta segunda (11). Calcula-se que o país chegue ao final deste ano com 215,3 milhões de habitantes.

O Brasil deve atingir seu pico populacional em 2046, com 231,1 milhões de habitantes O Brasil deve atingir seu pico populacional em 2046, com 231,1 milhões de habitantes
O Brasil deve atingir seu pico populacional em 2046, com 231,1 milhões de habitantes |  Foto: Isaac Fontana/CJPress/Folhapress
 

Já a nação da costa oeste da África alcançará 218,5 milhões. Chama atenção o ritmo de crescimento nigeriano, que há 50 anos tinha população equivalente a 60% a do Brasil no mesmo período. Os números compõem o relatório World Population Prospects, cuja edição deste ano traz estimativas inéditas que levam em conta a pandemia de Covid.

Para o Brasil, o documento ajuda a preencher uma lacuna de dados deixada pela ausência do Censo Demográfico, adiado por dois anos consecutivos – a última edição é a de 2010. O Brasil deve atingir seu pico populacional em 2046, com 231,1 milhões de habitantes e, então, entrar em decréscimo, chegando ao final do século com cerca de 184,5 milhões –14% a menos do que tem hoje.

Assim, o país chega em 2100 fora da lista dos dez mais populosos do mundo –deverá estar na 11ª posição, seguido pelo arquipélago das Filipinas. Até lá, será desbancado por República Democrática do Congo, Estados Unidos, Etiópia, Indonésia, Tanzânia e Egito.

Consequência da crise sanitária, o país assistiu à diminuição da expectativa de vida, fenômeno que ocorreu em todo o mundo. No Brasil, porém, a queda foi maior. De 75,3 anos em 2019, a expectativa para os brasileiros foi a 72,8 no ano passado (queda de 2,5 anos). Globalmente, a queda média foi de 1,8 ano (de 72,8, foi para 71 anos).

Assim como no mundo, porém, o número tende a ser recuperado –no caso brasileiro, já a partir de 2023. As projeções, aliás, mostram que o país pode chegar a 2050 com uma expectativa de 81,3 anos. Cem anos antes, em 1950, quando o monitoramento passou a ser feito, calculava-se que o brasileiro viveria, em média, 48 anos.

Seguindo tendência demonstrada no relatório anterior, de 2019, o documento atual mostra que o ritmo de crescimento da população brasileira corresponde a quase metade do da média global – 0,45% ao ano contra 0,84%, respectivamente. Daí o fato de a população entrar em decréscimo no país quatro décadas antes que a população mundial.

Já a Nigéria, para efeitos de comparação, tem média anual de crescimento de 2,3% e deve mais que dobrar de tamanho até o final do século, chegando a 546 milhões de habitantes e ocupando o terceiro lugar no ranking de mais populosos, atrás de Índia e China.

O fato de que tem diminuído o número de filhos proporcionalmente à quantidade de mulheres no Brasil é um dos que compõem a equação que explica o cenário do país. Em 2022, para cada mulher, nasce média de 1,6 criança – cifra que tende a se manter até o final do século. Há 60 anos, esse número era de 6 nascimentos por mulher.

O recém-lançado relatório mostra ainda o acelerado envelhecimento da população. Enquanto em 1950 só 2,4% dos brasileiros tinham mais de 65 anos, esse número chega próximo a 10% em 2022 e deve superar um terço da população brasileira ao fim do século, com 33,5% de idosos.

O crescimento é ainda maior no recorte de pessoas ainda mais velhas, com mais de 80 anos. Hoje esse grupo representa apenas 1,7% da população brasileira, mas o dado deve ter um salto de quase oito vezes e chegar a 14,8% da população no final do século.

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