Brasil pede tributação zero sobre produtos do Haiti
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
France Presse 
São Paulo- O Brasil pediu ontem no Foro de Davos que todos os países do mundo em condições de fazê-lo apliquem tributação zero sobre os produtos procedentes do Haiti durante um prazo de 15 a 20 anos para ajudar na recuperação deste país devastado pelo terremoto de 12 de janeiro. ''Este é o momento para que todos os países desenvolvidos e todos os países em desenvolvimento que possam fazê-lo ofereçam tarifa zero e cota livre pra os produtos haitianos'', assinalou o chanceler Celso Amorim em uma seção especial sobre o Haiti organizada em Davos com a presença do ex-presidente americano Bill Clinton. ''Sempre há um modo de fazer isso se houver vontade política. É preciso fazê-lo por 15, 20 anos, para ajudar o país'', insistiu, referindo-se à viabilidade de sua ideia.
Já o ex-presidente Clinton - enviado especial da ONU para o Haiti - incentivou os empresários a investirem com confiança no país caribenho, acompanhando a reconstrução da parte destruída pelo terremoto e acelerando o desenvolvimento dos 70% que não foram afetados pela tragédia.
Na sua apresentação na estação de esqui do leste da Suíça, Bill Clinton afirmou que a tragédia ocorrida no último dia 12 de janeiro pode se transformar numa oportunidade para fazer o país ressurgir depois de anos de miséria. ''Os haitianos precisam ser ajudados através desse odioso desastre natural'', enfatizou, explicando que o terremoto que deixou 170 mil mortos pode servir para ressaltar as qualidades deste país historicamente ''castigado por ser ignorado e alvo de abusos''.
''Eles têm a melhor oportunidade de sua vida de escapar do passado e temos a melhor oportunidade de nossas vidas para ser parte disso'', insistiu Clinton, visivelmente emocionado. Clinton está envolvido com o Haiti há muito tempo, e passou no país a lua de mel com sua esposa Hillary.
Segundo o enviado especial adjunto da ONU para o Haiti, Paul Farmer, 75% de Porto Príncipe deverá ser reconstruída.
A representante das Nações Unidas para a redução dos riscos de catástrofes advertiu nesta quinta-feira que a chegada da temporada de tempestades tropicais em maio pode agravar os efeitos do terremoto no Haiti.
Os terremotos foram a causa da maioria das mortes por catástrofes na década passada e seguem representando uma importante ameaça para milhões de pessoas que vivem em algumas das maiores megalópoles do mundo, informou nesta quinta-feira a ONU. Segundo um estudo patrocinado pela ONU, quase 60% das cerca de 780 mil mortes em desastres entre 2000 e 2009 ocorreram devido a terremotos.


