Brasil pede fim de rumores contra a Venezuela
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terça-feira, 29 de março de 2005
France Presse 
Puerto Ordaz (Venezuela) - Os presidentes de Brasil, Venezuela e Colômbia pediram ontem, na cidade de Puerto Ordaz, no sul da Venezuela, um fim aos rumores e às acusações que vêm afetando as relações entre as nações do continente. ''Não aceitamos insinuações contra companheiros. Penso que a Venezuela tem direito a ser um país soberano para tomar decisões, não precisa ser acusada'', afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), numa reunião na qual participou também o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.
''O que eu quero é paz para que (Chávez) possa dar ao povo o que ele espera do governo da Venezuela (...) Você pode ter certeza de nossa solidariedade'', disse Lula ao presidente Hugo Chávez, anfitrião da reunião de cúpula em Puerto Ordaz (550km a sudeste de Caracas). A Venezuela foi acusada duramente, nas últimas semanas, pelos Estados Unidos, que relacionam o governo Chávez a grupos rebeldes do continente, chamando-o de ''desestabilizador'' da região.
Lula reiterou ao presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, que o PT nunca recebeu recursos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), como vem sendo divulgado pela imprensa. ''Não levamos a sério essas denúncias. Estou dizendo isso para explicar ao presidente Uribe, uma vez mais, que o Brasil se põe à disposição da Colômbia'' para ajudar em seu processo de paz, disse Lula.
Uribe, por sua vez, indicou que é o momento de ''escolher entre deixarmos que se deteriorem as relações de nossos povos ou avançarmos com a agenda''. ''O presidente Lula não tem que me dar explicações, eu me envergonho disso'', disse Uribe, acrescentando: ''precisamos trabalhar numa agenda comum e que vocês nos ajudem no que puderem, num ambiente de confiança''.
O presidente colombiano recordou que os rumores também o afetaram, porque quando assumiu a presidência foi chamado de ''fascista'' e recebeu acusações de que sua administração acabaria com a democracia do país. Na segunda-feira, o parlamentar colombiano de oposição Gustavo Petro denunciou que ''uma parte do entorno político e financeiro do presidente Alvaro Uribe está vinculado aos paramilitares'', e que essa aliança incluiu a entrega de recursos para sua campanha eleitoral em 2002.
Já Hugo Chávez disse que as acusações que recebe ''às vezes doem'', como a de que apóia grupos subversivos do continente e que não luta contra o narcotráfico, mas que já ''se acostumou''. ''A Venezuela não apóia guerrilhas, não apóia narcotraficantes, nem movimentos contrários aos governos'', garantiu.


