LONDRES - O ministro de Relações Exteriores Celso Amorim pediu explicações ontem à Grã Bretanha pela morte ''por engano'' do cidadão brasileiro Jean Charles de Menezes, advertindo que na luta contra o terrorismo é preciso respeitar a vida de pessoas inocentes.
''Vim a Londres expressar a perplexidade do governo e povo brasileiros pela morte'' de Jean Charles de Menezes, afirmou Amorim, depois de se reunir com funcionários da chancelaria britânica. ''Está claro que Menezes era um cidadão pacífico e inocente'', acrescentou Amorim.
O chanceler reiterou que o ''Brasil está em solidariedade com o Reino Unido'', que foi alvo de dois ataques terroristas nas últimas duas semanas. Mas ele advertiu que, em meio às investigações antiterroristas, é preciso respeitar os direitos civis dos cidadãos e a vida dos inocentes.
''Na luta contra o terrorismo temos de ter cuidado para evitar a perda de vidas inocentes'', disse chanceler, que só pôde conversar com Jack Straw, ministro de Relações Exteriores da Grã-Bretanha, por telefone, já que não se encontrava na capital britânica.
Amorim conversou o subsecretário de Estado, David Treisman. Segundo o chanceler brasileiro, as autoridades britânicas garantiram que o governo fará uma investigação completa do caso.
O chefe da Scotland Yard, Ian Blair, pediu neste domingo desculpas à família de Jean Charles de Menezes. ''É uma tragédia. A polícia metropolitana aceita a completa responsabilidade pelo o que aconteceu. À família (do brasileiro morto) só posso expressar minhas profundas desculpas'', disse Blair.
O chefe de polícia admitiu que ''alguém mais pode ser morto'', mas acrescentou que ''está se fazendo de tudo para que as coisas sejam bem feitas''. Blair confirmou que a polícia aplica uma ''política de atirar para matar'' para fazer frente aos suicidas e destacou que essa prática não será modificada.

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