Brasil participará de monitoramento
Brasil participará de monitoramento
Monica Yanakiew
Mais de duas mil explosões atômicas foram registradas no mundo desde a primeira, em julho de 1945, até a assinatura do Tratado para a Proibição Completa de Testes Nucleares (Comprehensive Test Ban Treaty - CTBT), em 1996. Apesar de o acordo ainda não ter entrado em vigor, uma estrutura para fiscalizar seu cumprimento já está sendo montada e deverá começar a funcionar este ano, com participação brasileira. Serão 321 estações de monitoramento, equipadas e financiadas pelas Nações Unidas, das quais seis no Brasil.
Na semana passada, o chefe da organização encarregada de acompanhar o CTBT, embaixador Wolfgang Hoffmann, visitou o Brasil com dois objetivos: conhecer as estações de monitoramento e convencer o Congresso brasileiro a aprovar o acordo - já votado na Câmara e em tramitação no Senado. Hoffmann estava otimista. Desde 1996, nenhum país fez testes nucleares e este já é um passo grande, disse o embaixador, dias antes de a Índia romper esse acordo tácito e realizar três explosões.
Dos 149 países signatários, apenas 13 já ratificaram o tratado que proíbe testes nucleares. Apenas dois deles, França e Grã-Bretanha, são potências nucleares. O CTBT só pode entrar em vigor depois de ratificado por 44 países membros da Conferência de Desarmamento, que possuam reatores ou instalações nucleares. Faltam a ratificação de três das cinco potências atômicas: Rússia, China e Estados Unidos. E a adesão da Índia, do Paquistão e da Coréia de Norte, que sequer assinaram o documento.
As estações utilizarão quatro tipos de tecnologia: sismológica (para detectar terremotos), hidroacústica (que identifica também fenômenos climáticos como o aquecimento do clima), infrassônica, e de radionucletídeos (capaz de diferenciar uma explosão de um acidente atômico).
No Brasil, Hoffmann visitou o observatório sismológico da Universidade Nacional de Brasília (UNB), que será modernizado para atender a essa nova função e ter uma capacidade de identificar tremores a uma distância maior. O País também terá outras duas estações sismológicas no Amazonas e no Rio Grande do Norte), duas estações de radionucletídeos (uma no Rio de Janeiro e outra em Recife), e uma estação infrassônica.
O Brasil sediará também um dos 16 laboratórios do mundo, para analisar os dados captados pelas estações de radionucletídeos, disse Hoffmann. Segundo ele, o sistema inteiro deverá ficar pronto em três anos e custará mais de US$ 100 milhões. Os países que participarem desse sistema de monitoramento receberão dados do mundo inteiro e terão oportunidades para treinar melhor seus cientistas, explicou o embaixador.
Hoffmann disse acreditar que a Índia acabaria assinando o acordo - o que levaria o Paquistão e a Coréia do Norte a fazer o mesmo. Suas declarações foram desmentidas pelos fatos dias depois. Mas o embaixador insiste em dizer que o CTBT é fundamental por duas razões: contribui para a proteção do meio ambiente, que era seriamente prejudicado pelas explosões nucleares, e impedirá o desenvolvimento de novas armas atômicas. Nenhum militar vai querer um armamento que não foi testado, disse Hoffmann. E até agora não existe um programa de simulação, no computador, capaz de substituir os testes que vinham sendo feitos, concluiu.





