Brasil não tem intenção de retaliar o Uruguai
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domingo, 22 de julho de 2001
Cláudia Dianni De Brasília 
O Brasil não pretende retaliar o Uruguai pelo aumento de três pontos porcentuais na alíquota de importação, anunciada na semana passada sem consulta aos demais sócios do Mercosul. Segundo o representante especial do Mercosul, embaixador José Botafogo Gonçalves, o País também vai continuar a defender a coesão do bloco comercial. Ele se reúne hoje com os diplomatas especialistas em integração regional para discutir a resposta apropriada do governo brasileiro à decisão uruguaia.
De acordo com fontes do governo brasileiro, o objetivo do Uruguai ao elevar os impostos de importação foi provocar a Argentina, que tem colocado barreiras a várias exportações uruguaias ultimamente. O caso mais recente foi da exportação de bicicletas. De acordo com essas autoridades brasileiras, o relacionamernto comercial entre a Argentina e o Uruguai vem piorando na proporção do aprofundamento da crise argentina, pois boa parte das exportações do Uruguai, cerca de 30%, vão para a Argentina, e cerca de 35% para o Brasil.
Para esses analistas, a decisão uruguaia é inócua do ponto de vista econômico. Embora o governo ainda não tenha feito um levantamento para saber como as exportações brasileiras serão atingidas, já é possível prever que o prejuízo será pequeno, considerando o volume de comércio.
No primeiro quadrimestre deste ano, o Brasil exportou para o Uruguai US$ 56 milhões. Esse volume equivale a 1,18% dos embarques brasileiros para outros países. Além de subir as tarifas para todos os produtos importados, o Uruguai baixou o imposto de importação para bens de capital. Isso retira a competitividade dos equipamentos brasileiros. O Brasil é o principal fornecedor de máquinas para a América do Sul. Na semana passada, o Paraguai elevou a tarifa de importação em 10 pontos porcentuais.
O Brasil é o único país que continua defendendo a preservação da união aduaneira do bloco, que se caracteriza, principalmente, por uma tarifa comum aplicada às importações de fora do bloco, para consolidar e proteger um mercado consumidor maior. Isso porque, na teoria, não deveriam existir tarifas entre os quatro países, motivo de atração de investimentos diretos, já que as multinacionais podem exportar de um país para o outro sem pagar em imposto.


