O ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, disse ontem que o Brasil não irá interferir no combate à guerrilha da Colômbia e tampouco oferecer apoio aos colombianos nesta questão. ‘‘Guerrilha é problema deles e não passa pela cabeça de ninguém o Brasil ir combater guerrilha na Colômbia’’, avisou o general, esclarecendo que a reação do governo brasileiro foi necessária para mostrar que ‘‘aquele pedaço tem dono’’.
France PresseProcuradosO cartaz foi feito durante a caçada aos líderes dos cartéis de tráfico; entre eles, Helmer Herrera BuitragoSempre ressalvando que este assunto é do Ministério das Relações Exteriores, o general Cardoso informou que o Brasil não aceitou o pedido da Colômbia para que pousasse suas aeronaves na base militar brasileira de Iauaretê, no Amazonas, para atacar os guerrilheiros. Autorizou apenas que descessem para resgatar feridos, pois se tratava de uma questão humanitária, justificou o ministro.
O general Cardoso esclareceu que o governo não foi intolerante, como alegam alguns, que acharam a reação brasileira exagerada. ‘‘O Brasil foi complacente e até dilatou o prazo de permanência deles no País’’, avisou, acentuando que, de fato, não foi autorizada a permanência dos colombianos na área. ‘‘Nós cuidamos de nossas fronteiras e nossos problemas, que outros países cuidem das suas fronteiras e dos seus problemas’’, declarou ele, ao acrescentar que ‘‘guerrilha é problema deles’’.
‘‘O Brasil apóia seus próprios interesses e não se pode tratar de problemas internos de outros países’’, desabafou o general esclarecendo que o problema na fronteira surgiu em decorrência de uma ação bem preparadas, que não pode ser tratada como uma ação de emergência.
Segundo o general Cardoso, os colombianos não estão mais precisando usar nossas bases porque eles já estão controlando o aeroporto de Mitu, que esteve em poder dos guerrilheiros.
Depoimento Quatro policiais que sobreviveram a um demolidor ataque da guerrilha em uma cidade do leste da Colômbia afirmaram ontem que tiveram que beber da própria urina enquanto permaneceram debaixo dos escombros de um edifício por três dias. ‘‘Tomamos nossa própria urina para sobreviver’’, disse um dos policias minutos depois de ser resgatado . Cerca de 1.000 rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) destruíram, com mísseis de fabricação caseira, bombas e rajadas de metralhadora o quartel de polícia da cidade de Mitú, capital do departamento de Vaupés, deixando pelo menos 51 mortos (20 policiais, 15 soldados e 16 civis), segundo números oficiais. A guerrilha reconhece a morte de cinco de seus homens.
Paz Apesar deste ataque, dos mais duros dos últimos anos, o governo da Colômbia assinalou que continua disposto a manter as negociações de paz com os rebeldes do grupo.
Com a retomada da cidade de Mitú, o Governo colombiano considera que existem condições para a continuação do diálogo. Quanto ao incidente ocorrido pelo uso de campo de pouso brasileiro, durante a luta com os rebeldes, as autoridades consideram que o episódio já foi superado após as consultas diplomáticas realizadas esta semana. Não houve, assinalaram porta-vozes das Forças Armadas, qualquer tentativa de usar bases brasileiras para a ação contra os rebeldes, sendo que a utilização dos campos de pouso na ocasião serviu apenas para fins humanitários, conforme garantem.

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